sábado, 18 de fevereiro de 2012

O início de tudo



Há exatos 4 anos tinha início minha vida como docente.
Posso dizer que sou extremamente feliz e realizada no que faço, mesmo em meio a tantas turbulências que essa escolha traz (lidar com pessoas é matéria sensível e cuidadosa, mas muito recompensadora).
E hoje, depois de tantas caretas, gestos e falas, sinto que nasci pra coisa.
Eis as fotos do início de tudo: uma aula inaugural!

sábado, 28 de janeiro de 2012

Sempre vale a pena ver de novo

E revi, mais uma vez, um dos mais belos filmes já feitos pelo cinema francês.
O Oitavo Dia, (1996), de Jaco Van Dormael, é sensível, delicado e divertido, misturando fantasia e realidade sem perder o fio da meada. A medida certa do bom cinema.
Esta deve ser a quarta ou quinta vez que o vejo. E certamente não será a última.




E semanas atrás, motivada por um certo artigo, também revi As Pontes de Madson (1995), de Clint Eastwood. Não me lembrava do porquê sempre ter na memória este como um dos mais tristes filmes já visto. E então me lembrei. Não foi a atuação de Eastwood ou de Streep, e nem tanto a história em si - que é belíssima - mas a sensação de uma cena em particular. A caminhonete. A chuva. O que quase foi.


O divã de von Trier


Europa
Lars von Trier
1991

Este filme faz parte de uma trilogia de von Trier (sendo os outros Epidemia (1987) e Elemento do crime (1984)) que marcou o início da carreira do diretor.
Baseando-se na Alemanha do pós-guerra e nos fantasmas que ainda circundavam a Europa do holocausto, von Trier consegue uma atmosfera noir não apenas pelas técnicas empregadas no filme mas principalmente pelo terror psicológico. O filme é narrado como se estivéssemos num divã, durante uma sessão de regressão ou hipnose. Tudo o que o personagem principal faz é previamente anunciado pela voz em off. As cenas em preto e branco dão lugar às cores em específicos momentos que podem demonstrar horror, lucidez ou libertação, como se, ainda no divã, nos deparássemos com nossos escorpiões e, após aberta a caixa do inconsciente, nada mais pudesse se esconder na penumbra.
E aqui já se percebe elementos que mais adiante, nos próximos filmes, são retomados de maneira sublime: a cena final de Dogville, a cena da grama em Anticristo, a própria melancolia de Melancolia.
A minha dedução é que Lars von Trier  nunca mudou: o germe do cinema fantástico que vemos nos últimos anos já estava aflorado desde os primeiros roteiros e filmagens. Um gênio (ainda que suspeito) do cinema atual.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Shi

Shi
Poesia
Chang-dong Lee
2010

Não sou expert em cinema sul-coreano mas o pouco que conheço me traz admiração.
E, para mim, este não foge à regra: um tema pouco palatável inserido de maneira poética e delicada.
Lindo como um desenho oriental no papel de seda.

sábado, 14 de janeiro de 2012

O Mal e o Medo


Brilhante. Genial. Palavras desta estirpe talvez não deem conta de sintetizar o sentimento após assistir esta obra-prima de Ingmar Bergman. Aliás, faltam palavras para definir o valor estético e moral da filmografia do cineasta sueco, mas sem dúvida elas estariam sempre no superlativo.
O Ovo da Serpente (1977) é um filme denso, com enredo intrincado e complexo para falar sobre um assunto não menos complexo e denso: o nascimento do totalitarismo nazista.
Liv Ullmann e David Carradine interpretam a angústia que Bergman conseguiu captar e refletir com maestria ímpar.
E no tempo e espaço em que o mostro se revela através da fina casca do ovo, uma cena em especial me chamou a atenção: Manuela (Liv Ullmann) vai até uma igreja para se confessar. O padre, apressado para a próxima missa, quase não dá atenção aos desabafos da moça - o suicídio do ex-marido, o fardo de cuidar do cunhado (Abel, interpretado por Carradine), a doença, a pobreza. E então ela grita pela atenção do padre, "Toda essa culpa é demais para mim (...) A única coisa de verdade é o medo". O padre olha para ela, pergunta se deseja que ele reze por ela.Com a afirmativa, eles se ajoelham e o padre afirma que, com um Deus tão distante, nós devemos pedir o perdão uns aos outros. Assim, ele - e não Deus -  a perdoa da culpa. Depois disso,  vira-se para ela, e suplica: "Imploro por seu perdão, por minha apatia e indiferença". Manuela põe as mãos sobre a cabeça dele, e o perdoa.
Se esse filme pudesse ser resumido em uma frase, seria aquela que se repete por duas vezes ao longo dele: A única coisa de verdade é o medo.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Pondé entrevista Annette Kirk


ANNETTE KIRK, QUE FOI MULHER DE UM DOS MAIORES PENSADORES DO SÉC. 20, RUSSELL KIRK, FALA SOBRE O QUE É SER CONSERVADOR

Enfim, parece ter chegado a hora de começarmos a ter acesso ao debate conservador anglo-saxão para além do senso comum. Pouco ou nada se sabe acerca da tradição conservadora entre nós, devido, antes de tudo, à falta de bibliografia.

A editora É Realizações lançou neste mês "A Era de T. S. Eliot", obra capital de um dos maiores pensadores conservadores do século 20, o norte-americano Russell Kirk (1918-1994).

Annette Kirk, que foi mulher do autor de 1964 até sua morte, esteve no Brasil e conversou com a Folha sobre o que é ser conservador.

Folha - A definição do conservadorismo ocupou Russel Kirk. O que significa ser conservador hoje?

Annette Kirk - Conservadorismo é uma disposição para conservar com uma capacidade de reformar, portanto, ser conservador hoje é a mesma coisa que ser conservador em qualquer época.

Russell segue [o filósofo britânico Edmund] Burke na compreensão do conservadorismo como a negação da ideologia, que definia como fanatismo político.

Diferentemente dos que defendem que a autonomia individual e a liberdade sejam de importância primordial, os conservadores preocupam-se com a liberdade ordenada. Conservadores também aceitam a mudança como um meio de preservação, mas acreditam que deva ocorrer gradualmente, de forma orgânica, guiada com prudência baseada na cultura, nos costumes e nas convenções da sociedade.

Folha - Existe ainda pensamento conservador no Partido Republicano hoje em dia? Como a senhora vê a vida política americana sob Barack Obama?

O Partido Republicano é um conglomerado de diferentes tipos que se consideram conservadores. Alguns fundamentam o apoio aos candidatos no programa econômico, outros no programa social ou na política exterior. Convergem na preocupação com o crescimento exagerado do governo e na intromissão na vida das pessoas.

Durante o governo do presidente Obama houve, internamente, uma expansão nos programas governamentais, e todos sabíamos que isso iria acontecer, mas o que tem surpreendido é ele ter continuado quase todas as políticas externas da era Bush.

Obama desapontou alguns dos partidários na esquerda, pois não foi capaz de implementar todas as políticas esquerdistas. Como os Estados Unidos são essencialmente um país centralista, rejeitam as posições extremadas. No entanto, caso os republicanos não se unam com entusiasmo apoiando um candidato, Obama será reeleito.

Folha - Qual a herança de Russell Kirk na vida acadêmica dos EUA?

A coluna que ele publicou na "National Review" por 25 anos foi extremamente influente nos círculos acadêmicos. Russell também deu palestras em inúmeras faculdades e universidades e lecionou em diversas delas por um semestre ou mais. Muitos de seus livros são usados nas universidades até hoje.

Além disso, a revista "Modern Age", que fundou há mais de 50 anos, tornou-se um fórum para intelectuais apresentarem suas ideias sobre educação superior e reforma do ensino.

As ideias de Russell também estão surgindo em outros países.

Tal interesse pode ser visto no número crescente de artigos e teses a seu respeito, bem como várias traduções de artigos e livros em línguas estrangeiras -não só em alemão, espanhol, italiano ou português mas em búlgaro, polonês, russo e japonês.

Folha -  O que um pensador conservador teria para dizer a um país latino-americano imerso em injustiça social e corrupção?

Ao mesmo tempo em que afirma a imperfectibilidade da natureza humana e de qualquer sistema de governo e a impossibilidade de alcançar o paraíso na Terra, o conservadorismo acredita num eterno contrato que une os vivos, os que já morreram e os que ainda estão por nascer.

Defende ainda que há coisas permanentes passadas de uma geração para outra, dentre elas, percepções éticas e convicções, numa espécie de "aliança intergeracional".

Os vícios e a falta de apreço pela lei resultam diretamente do declínio da religiosidade e de laços familiares sólidos que ajudem a infundir respeito pelo ordenamento jurídico, pela moralidade pública e privada e o favorecimento de uma vida virtuosa.

Russell acreditava que para haver ordem na sociedade é necessário, primeiro, haver ordem nas almas e nas vidas dos cidadãos.

Para ele, a sociedade moderna necessita de uma verdadeira compreensão do sentido de comunidade, que é o oposto de coletivismo; este substitui a diversidade por uniformidade, e a colaboração voluntária pela força.

Folha -  O que é ser uma mulher conservadora hoje? Apenas ser submissa? Qual a resposta que uma pensadora conservadora daria para o feminismo hoje?

É difícil falar de feminismo hoje, pois existem muitos significados para essa palavra ao redor do mundo.

Curiosamente, Russell escreveu, em 1957, um livro chamado "O Guia do Conservadorismo para a Mulher Inteligente". Nele afirmava que as mulheres são conservadoras por natureza, pois ao vivenciarem realidades fatigantes percebem a necessidade real de segurança.

Como homens e mulheres são feitos segundo a imagem e semelhança de Deus, têm igual dignidade e direito à vida eterna. A vida na Terra deve permitir que se complementem, o que significa que a mulher deve acolher e nutrir os filhos com o apoio de um companheiro amoroso.

Quem fornece os meios materiais para a família pode ficar a critério do casal. Normalmente tem sido o homem aquele que trabalha fora, mas, como têm surgido oportunidades para as mulheres em campos anteriormente indisponíveis, pode ocorrer que, em algumas circunstâncias, o casal escolha que a mulher trabalhe fora ou meio-expediente e o homem tome conta das crianças.

Esse fator não deve ser decisivo para considerar um determinado casal conservador. Mais importante do que ganhar "o pão de cada dia" é o casal se manter unido nas questões espirituais, morais e sociais e no modo de educar os filhos.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Books

Leitura de férias: Guia Politicamente Incorreto da América Latina, Leandro Narloch e Duda Teixeira



Leitura de pesquisa: O Mal no pensamento moderno, Susan Neiman


domingo, 1 de janeiro de 2012

Calendário artístico - 2012

O ano mal começa e boas notícias do mundo das artes já pairam no ar.
2012 será repleto de exposições imperdíveis e únicas. Eis a agenda principal:

MASP:http://masp.art.br/masp2010/
Janeiro: "Roma, a vida e os Imperadores".
Abril: Amadeo Modigliani
Maio: Giorgio de Chirico
Junho: Caravaggio






ITAÚ CULTURAL:http://www.itaucultural.org.br/
Segundo semestre: Centenário de Nelson Rodrigues

PINACOTECA:http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/#!prettyPhoto/0/
Março: Alberto Giacometti

MIS:http://www.mis-sp.org.br/
Maio: Polaroides de Andy Warhol


O primeiro do ano






sábado, 31 de dezembro de 2011

Gênio do humor e do suspense




The Birds.
Inacreditável como pode ser ao mesmo tempo terrível e cômico.
Coisas de gênio.
I love you, Hitch.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Filmes


Henry & June
Philip Kaufman
1990

Lindíssima e delicada interpretação de Maria de Medeiros para a escritora Anaïs Nin. Uma Thurman - jovem e linda - também se destaca no papel da gloriosa June Miller. E o triângulo amoroso se fecha com Henry Miller, interpretado por Fred Ward.





Em nome de Deus
Stealing Heaven
1988
Clive Donner

Bela e trágica história verídica do romance de Abelardo e Heloísa, vivida em meados do século XII.
Ele, filósofo e tutor; ela, jovem e aprendiz. A típica - mas nem por isso ordinária - história de amor medieval termina em tragédia quando o tio de Heloísa descobre o romance e manda castrar Abelardo. A essa altura, o casal já havia tido um filho (Astrolábio - "que mede a distância das estrelas e do paraíso") e casado em segredo. Abelardo então decide virar monge e Heloísa se torna freira.
Pena que o filme não conseguiu apreender toda a beleza, angústia e delicadeza que a história merecia, beirando, inclusive, ao mau gosto (típico dos filmes dos anos 80).

Abelardo e Heloísa estão enterrados no mesmo túmulo, um dos mais visitados do cemitério Pére Lachaise, em Paris.

Fujo para longe de ti,
evitando-te como a um inimigo,
mas incessantemente
te procuro em meu pensamento.
Trago tua imagem em minha memória
e assim me traio e contradigo,
eu te odeio, eu te amo."
Carta de Abelardo a Heloísa.

"É certo que quanto maior é a
causa da dor, maior se faz
a necessidade de para ela
encontrar consolo, e este
ninguém pode me dar, além de ti.
Tu és a causa de minha pena,
e só tu podes me proporcionar conforto.
Só tu tens o poder de me entristecer,
de me fazer feliz ou trazer consolo."


Carta de Heloísa a Abelardo






quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

No heart

Quem não é socialista antes dos 30 não tem coração. Quem é socialista depois dos 30 não tem cabeça.
Churchill




Perdi meu coração aos 20 anos. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O horror, o horror

Há algum tempo não me deparava com um filme tão absurdamente ruim: Little Ashes - Poucas Cinzas, traz a história até então pouco conhecida do romance dos jovens Salvador Dali e Federico Garcia Lorca.
Mas a história vai parar por aqui, pois não vale a pena ser contada. Não da maneira que este filme trouxe. Tudo é ruim: os atores - a começar pela angustiante escolha de Robert Pattinson para o papel de Dalí -  a música, o enredo, enfim, praticamente nada se aproveita. O filme acaba por fazer ode à "homoafetividade" (termo politicamente correto para sexo gay) e despreza a genialidade de Luis Buñuel, retratado no filme como fascista e antirrevolucionário.

Totalmente dispensável.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

sábado, 17 de dezembro de 2011

Feist

                     Uma das melhores músicas no novo Cd da Feist.
 Delicioso Cd.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Diário de bordo

Viajar bem é loteria. Nunca se sabe o que vai acontecer.
Já consegui assisitir bons filmes no ônibus. Nunca me esqueci de um filme dos anos 60, chamado Barefoot in the park. Um típico filme dessa década.
Mas na semana passada os motoristas deveriam estar melancolicamente afetados. Durante as 5 horas de viagem me distrai entre Cidade dos Anjos e Outono em NY. No mesmo dia, na volta, provavelmente acometido por um sentimento mais trágico (no senso comum), foi passado Vôo United 93. Resumo da ópera: sem chances de sobreviventes em nenhum dos filmes.
E eu cheguei muito bem disposta em meu destino.

Hoje fui muito bem acompanhada de Nelson Rodrigues e A Cabra Vadia durante metade da viagem. Enquanto isso, Marley e Eu embalava - entre um soluço e outro - a viagem da garota na poltrona da frente.

domingo, 30 de outubro de 2011

Um Conto Chinês


Um Conto Chinês
Un Conto Chino
Sebastián Borensztein
2011

Filme para fazer flutuar.
O cinema argentino é craque - e nessa quesito dá de 10 a 0 no Brasil - no que diz respeito à alma humana. De forma simples e clara, consegue transformar uma história banal em uma história inesquecível.
E afinal, não é exatamente isso que os gênios fazem: transformar o cotidiano inexpressivo em poesia?
Ei-lo.

sábado, 29 de outubro de 2011

Genealogia amorosa-musical

Minha vida, ultimamente, tem sido dividida entre trabalho e viagem.
E quem viaja sabe: tem-se muito tempo para pensar na estrada (principalmente para quem nem sempre consegue ler ou dormir, como eu).
E em algum momento dessas 18 horas por semana cheguei à conclusão que meu gosto musical foi (muito bem) composto através de minhas parcerias amorosas.

Fim dos anos 90: Pink Floyd, Metallica, Kiss
Passagem para o 2000: Itamar Assumpção, Alceu Valença, Walter Franco
                                   : Chico Buarque, Ivan Lins, Caetano Veloso, Tetine, Gershwin
                                   : Demônios da Garoa, Ceumar, Zeca Baleiro, Mestre Ambrósio
2001-2004: David Bowie, Sidney Magal
                 : Aretha Farnklin, Mark Knopfler
Desde de então: Los Hermanos
                        : Camille, Jamie Cullum, Air, Trio Curupira, Djavan, Diana Krall
                        : Cranberries, Amy Winehouse, Eddie Vedder.


 E viva a ecleticidade!



domingo, 9 de outubro de 2011

Saul Steinberg

Em exposição na Pinacoteca de São Paulo, até 06 de novembro.
Linda exposição do mestre da linha.


 Sem título, 1948



 Artistas e guerra, 1969




 Garota na banheira, 1949



 Trem


 A Galinha, 1945



Cowboys, 1952.