sábado, 7 de outubro de 2006

s2 - o coração

Tenho a impressão que minha vida mudará. Pra melhor ou pior é que ainda não sei, mas com certeza não permanecerá a mesma. O coração seria o responsável por uma morte prematura. Literalmente e metaforicamente. Mas o romantismo já passou e hoje em dia niguém mais morre aos 23 anos. A não ser que realmente queira. E eu sei que não quero. Minhas veias românticas se fecharam há algum tempo.Ou não. Quem sabe? A única coisa que sei é que outros tempos estão se instaurando em minha vida e estou curiosa o bastante pra saber no que vai dar.

music: Quand je marche - Camille

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Tom Waits



Acabo de conseguir a discografia COMPLETA - nada menos que 31 álbuns completos - de Tom Waits. Essa voz rouca e esfumaçada, esse tom rasgado, jazzistico, bluseiro, roqueiro. Tom é tudo e mais um pouco. O próprio infame. O dono da voz. O cara.

Um belo presente para uma noite de chuva como essa.

Ouvindo no momento o álbum Blue Valentines.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Freaks



Freaks, Tod Browning, 1932, USA.

Sem dúvida esse filme assustará você. Não por se tratar de um filme de terror, o mais correto seria filme de HORROR. O Horror frente ao desconhecido, ao diferente, ao estranho, ao outro. Freaks mostra um circo dos horrores, literalmente: metade de pessoas, pessoas grudadas pelos quadris, com cabeças de agulhas, sem pés, sem mãos, homens-mulheres, mulheres barbadas, anões, enfim, toda sorte de gente estranha possível e imaginável.
A história se desenrola quando no circo um anão se apaixona pela trapezista, uma linda e maléfica mulher, que se aproveita da situação para tascar a fortuna do pequeno. A partir daí se desenvolve a história mostrando os dois lados da vida no circo: os normais e os freaks. E por mais que houvesse interação, os "normais" nunca seriam "um deles".

" We accept you, one of us!
Gooble, gooble
Gooble, gooble
We accept you, One of us!"

Prince Radian - o minhoca (fazndo seu próprio cigarro sozinho!)
Pinhead - o homem de 3 anos
Johny Eck - o homem-tronco
Daisy and Rosetta Hilton - as irmãs siamesas

Todas essas pessoas são (ou foram, porquê já passaram desta vida) reais e participaram deste filme. Cada qual teve sua história e soube o quão freak é viver num mundo como este nosso.

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

filmes...

Filmes do final de semana:
Betty Blue (37 0. 2 le matin), Jean Jaque Beineix, 1986, França.

Obrigado por fumar ( Thank you for smoking), Jaison Reitman, 2005, USA

Totalmente Kubrick (Colour me Kubrick), Brian Cook, 2005, USA.



Todos indicadíssimos. "Betty Blue" é estranho e belo, a garota que interpreta a personagem principal tem uma beleza quase exótica, boca grande, dentes saltados, mas ainda assim arrebata o espectador. Em "Obrigado por fumar" o politicamente correto é o alvo de artilharia, muito bem humorado, bem estruturado, mas como quase todo filme norte-americano acaba não conseguindo ser tão anti-politicamente correto assim. "Totalmente Kubrick" é baseado em história real, quando um maluco qualquer resolve passar-se por Stanley Kubrick para entrar em festas, hotéis de luxo e viver de mordomia. O fato deu-se quando das filmagens de "De olhos bem fechados", onde o então verdadeiro diretor Kubrick recusava-se apresentar sua figura em público, dessa forma ninguém saberia reconhece-lo pelas ruas. Aproveitando-se disso o farsário - que não se assemelhava nem em sombra com Kubrick - circulava livremente pelos melhores restaurantes, badaladas festas e hotéis sob o nome de Stanley Kubrick, ou Stan para os íntimos. John Malkovich está impagável sob o farsante e ultra gay Stan.

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Alameda

Finalmente algo de bom aconteceu em Bauru - a cidade sem limites para o tédio. Um hiper-mega-empreendimento foi inaugurado essa semana num quilômetro qualquer da rodovia mais próxima e trata-se do seguinte: posto de gasolina e área de conveniência (afinal é na rodovia), bar ambientado nos anos 50 (com direito a carros antigos e tudo!), 4 salas de cinema subterrâneas com sistema ultramoderno de som e poltronas reclináveis de couro e o melhor não pára por ai, os filmes não seguem a linha comercial, mas o circuito de filmes estrangeiros europeus, latinos e asiáticos. Fantástico, tudo que eu precisava no momento. E 24 horas por dia!
Quem um dia estiver passando por aqui vale a pena parar e conferir: Alameda Quality Center.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

caolha


Mas uma noite estranha em minha vida. Ontem desmaiei sem motivo aparente ( ou preocupante) e acabei me machucando feio. 5 pontos no supercílio. Hospital até às 8 da manhã, afffff! Baladas para hoje desmarcadas até segunda ordem.
Pelo menos a companhia de ontem era mais que agradável e valeu a noite.

música de recuperação: charles mingus - Blues and roots

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Poor blue bird ou c´est la vie


Lembram-se do blue bird? Ei-lo aqui. Morto. Minha gata Ágatha resolveu provar que ainda é um animal com instintos à flor dos pelos apesar de domesticada. É a vida. Ou como diriam os franceses, c´est la vie, mon ami! Eu disse que ele era azul...

domingo, 24 de setembro de 2006

Very bad things


Raridade na Tv aberta brasileira é filme bom em horário nobre, coisa que ontem saiu da rotina. Sábado à noite quase sempre pede um bom filme e foi isso que a Rede Globo proporcionou exibindo "Uma loucura de Casamento" ontem à noite.
Esse filme é com certeza uma das melhores comédias já feita pelo cinema norte-americano. O título original resume muito melhor a temática do filme: Very bad Things. Trata-se de uma história bem simples, casamento e antes disso uma noite de despedida de solteiro em Las Vegas entre amigos, não fossem as seguidas tragédias ocorridas seria um filme mais que banal. Mas o fio condutor é o humor negro e isso já basta para salvá-lo de qualquer clichê humorístico holywoodiano. Recomendadíssimo.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Primavera affffffffff





Chegou a primavera. Prefiro o inverno, mas como é inevitável e como para nós brasileiros primavera é verão, decidi usar essas imagens de João Câmara só pra ver se me animo...

music: Yellow sun - The Racounters

quarta-feira, 20 de setembro de 2006


posso pegar disse ele
(eu vou gritar disse ela
só uma vez disse ele)
dá prazer disse ela

(posso ir mexendo disse ele
depende quanto disse ela
bastante então disse ele)
porque não disse ela

(vamos lá disse ele
não muita lá disse ela
onde é muito lá disse ele
onde você está disse ela)

posso assim disse ele
(como assim disse ela
desse jeito disse ele
por um beijo disse ela

posso pôr disse ele
será amor disse ela)
se você quer disse ele
(eu vou morrer disse ela

mas é a vida disse ele
mas e a tua amiga disse ela
vai disse ele)
ai disse ela.

e.e. cummings

music: You´ve really got a hold on me - Beatles

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Antoine et Colette

Antoine et Colette. Françoise Truffaut, 1962. França.

Belo curta-metragem de Truffaut , na verdade um episódio do filme L´amour à vinget ans, ou Amor aos vinte anos. Simples, bem feito e belo como só Truffaut pode fazer.
Uma frase em especial me chamou a atenção, do pai de Colette à Antoine : "Victor Hugo denunciou o mal, mas não a cura para ele."
Bom , né?
A quem interessar o curta está no youtube, em frânces com legenda em inglês. Vou tentar postar o vídeo numa próxima.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Zatoichi

Zatoichi - Takeshi Kitano, 2003. Japão.

Refilmagem de história clássica japonesa sobre um espadachim cego que livra cidadezinha dos infortúnios da yakuza. Essa é a base do filme de Takeshi Kitano, que além de dirigir faz o papel principal. Diz o próprio Kitano que buscou introduzir a história no século 21, por isso movimentos rápidos de câmera, novo figurino - principalmente o seu, já que para interpretar um Zatoichi moderno, Kitano teve o cabelo pintado de amarelo - e novas formas de luta , mais rápidas e precisas, aquelas de um golpe único e certeiro. Mas o que me chamou a atenção de verdade foi o leve toque de humor[!] que o diretor tentou imprimir. Claro que isso, pelo menos para mim, foi quase imperceptível, já que humor é elemento raro em filmes japoneses. Algumas cenas até chegam perto de uma risada mas foi um tanto estranho perceber isso em um filme de luta, violento e sangrento. Na verdade não gostei do filme. Não que não valha a pena vê-lo, afinal ganhou prêmio de melhor diretor no Festival de Veneza e isso deve significar algo, mas de Takeshi Kitano eu indicaria Dolls.

ps: não consegui postar foto...

sábado, 16 de setembro de 2006

Milágrimas

Ontem fui assitir ao espetáculo de dança Milágrimas do famoso coreógrafo Ivaldo Bertazzo no Sesc. Trata-se de um trabalho com 41 jovens da periferia de São Paulo, mixando dança e canto brasileiros e africanos, mais precisamente o canto capella sul-africano.
Foi de arrepiar.
Na trilha escolhida pelo pianista Benjamin Taubkin estão músicas de Dorival Caymmi, Nelson Cavaquinho e claro, a música-título de Itamar Assumpção e Alice Ruiz, Milágrimas:


Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido, Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos, Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre
Caso de tristeza vire a mesa

Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena, Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura, Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal, Chorar for inevitável

Sinta o gosto do sal do sal do sal, Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma, Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre

Belo poema, bela múscica, belo espetáculo.

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Morte em Veneza

Estou voltando às origens, tentando ler alguns clássicos e retomei por "Morte em Veneza", de Thomas Mann. Confesso que o filme me decepcionou um pouco, muito lento, cansativo mas como tudo que Visconti faz, é belo. E não era pra menos, já que o livro é de uma descrição perfeita sobre e para a beleza e o Belo.
Sem dúvida esse é um dos mais belos livros que li. Um tanto quanto descritivo demais para meu pobre gosto, mas ainda assim é fantástico.

Em alguns momentos me senti como possível co-autora de algumas passagens [conforme o meu ânimo de ontem].

"(...) esta saudade para a distância, para a novidade, esta ânsia por libertação, exoneração e esquecimento - a pressão de se afastar da obra, do sítio cotidiano de um serviço rígido, frio e apaixonar-se. "

O vislumbre diante da juventude e da inevitável morte.


Cena do filme de Visconti. O efêmero e o etéreo unidos pelo Belo.

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

O ser e o nada

Não tenho mais vontade de fazer nada, nem de escrever, nem de ler, nem nada. Fase.

Vai passar.

Meus últimos planos foram todos frustrados. Mais um funeral pra completar 3 em menos de 2 meses. Faço coisas que não gosto. Penso em pessoas que não estão ao meu lado (nesse momento, mas um dia já estiveram). Sinto uma saudade aguda de algo que não sei exatamente o quê.

Tomara que passe logo.

Sem perspectiva, sem dinheiro, sem emprego. Claro, tenho amigos, família, uma gata siamesa, alguns filmes que podem me salvar numa noite vazia. Livros, muitos, mas não consigo ler nada. Não agora. Quem sabe quando?

Será que já passou?

1 música: Lover, you shold have come over - Jeff Buckley

domingo, 10 de setembro de 2006

O maior amor do mundo


O maior amor do mundo. Cacá Diegues, 2006, Brasil.

Depois de ver a este filme hoje fiquei imaginando o porquê de fazer filmes que pontuem alguns períodos do país. É importante no fim das contas ter pelo menos algumas impressões da época registradas pelo cinema, nem que sejam - como sempre são - tendenciosas. Seja pra criticar ou apoiar determinada situação. Esse filme trata de nossa época, sem dúvida, tendo como pano de fundo (bem de fundo e bem rapidamente) a ditadura militar.
Mas no fim a história trata mesmo é de amor. E o maior amor do mundo. Podem imaginar qual seria o maior amor do mundo? Eu sei.

Quando vou ao cinema

Quando vou ao cinema pode acontecer de tudo, é um mistério. Mas na maioria das vezes vou porquê tenho uma necessidade absurda de ir, necessidade mesmo, além do desejo. E na maioria das vezes saio da sala muito bem e uma das razões é por não ver qualquer porcaria que passa por lá. Mas enfim, dizem que uma das funções do cinema (se é que precisa existir alguma função) é a de abstração do mundo real. Por conta disso muita gente não gosta quando o filme trata da "realidade" ou coisas que assemelhem ao cotidiano das e preferem se derreter com uma comédia romântica ou coisa parecida. Não desmereço esse tom, já que o cinema tem esse dom de nos levar ao mundo onírico e (mais que) perfeito.
Ainda assim não é somente por isso que amo o cinema. Amo porquê amo. Ponto. Independente se me leva longe da realidade ou se me aprofunda na mesma. Cinema é lúdico por natureza. Ou não (se lembrarmos que a primeira projeção da história foi a de um trem a toda velocidade) . Mas pouco importa. O que importa realmente é se o que está sendo visto vai fazer diferença pra você. Nada pior que um filme "mais ou menos", que seja ao menos "horrível". Sair do cinema da mesma forma como se entrou é para mim, no mínimo, tedioso, perda de dinheiro e de tempo.
Por isso, quando assisto a um bom filme quase sempre saio em silêncio do cinema. Por vezes extasiada, por vezes pensativa, outras vezes indignada, mas quase sempre em silêncio.
Esses e alguns outros motivos que me fazem e farão sempre amar estar numa sala escura com apenas uma única luz a indicar o caminho.

music: almost blue - elvis costello & chet baker

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

A máquina


A máquina - João Falcão, 2006, Brasil.

Adaptação do romance de Adriana Falcão, primeiro para o teatro e agora para o cinema, por João Falcão. A história é lúdica, os atores são bons, a trilha sonora é boa. Nada de fantástico mas o Brasil carece mesmo de filmes fantásticos desde a morte de Glauber Rocha. Vale a pena ver pois o tom lúdico interpretado é muito mais teatral que o normalmente visto e isso transportado para o cinema acentua a diferença do cinema tradicional.

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Jamie Cullum


Hoje tem show do Jamie Cullum em Sampa. Pra quem não conhece, o cara é considerado "Frank Sinatra de tênis". Um garoto com uma bela voz e um talento inigualável pra jazz. O estilo Emo pode enganar qualquer um à primeira vista, mas transforma até versões clássicas do Rock´n´roll como "Wind cries Mary" de Hendrix em puro jazz.
E mais uma vez perco um grande show.

domingo, 3 de setembro de 2006

Blue bird





Coisas simples podem melhorar - e muito - o seu dia.
Hoje eu vi um passarinho azul, literalmente. Ele está se aninhando no telhado sobre a sala de onde escrevo e hoje fez uma performance só pra mim.
Acreditem, ele era azul mesmo.

music: Ride a white horse - Goldfrapp