terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Pondé entrevista Annette Kirk


ANNETTE KIRK, QUE FOI MULHER DE UM DOS MAIORES PENSADORES DO SÉC. 20, RUSSELL KIRK, FALA SOBRE O QUE É SER CONSERVADOR

Enfim, parece ter chegado a hora de começarmos a ter acesso ao debate conservador anglo-saxão para além do senso comum. Pouco ou nada se sabe acerca da tradição conservadora entre nós, devido, antes de tudo, à falta de bibliografia.

A editora É Realizações lançou neste mês "A Era de T. S. Eliot", obra capital de um dos maiores pensadores conservadores do século 20, o norte-americano Russell Kirk (1918-1994).

Annette Kirk, que foi mulher do autor de 1964 até sua morte, esteve no Brasil e conversou com a Folha sobre o que é ser conservador.

Folha - A definição do conservadorismo ocupou Russel Kirk. O que significa ser conservador hoje?

Annette Kirk - Conservadorismo é uma disposição para conservar com uma capacidade de reformar, portanto, ser conservador hoje é a mesma coisa que ser conservador em qualquer época.

Russell segue [o filósofo britânico Edmund] Burke na compreensão do conservadorismo como a negação da ideologia, que definia como fanatismo político.

Diferentemente dos que defendem que a autonomia individual e a liberdade sejam de importância primordial, os conservadores preocupam-se com a liberdade ordenada. Conservadores também aceitam a mudança como um meio de preservação, mas acreditam que deva ocorrer gradualmente, de forma orgânica, guiada com prudência baseada na cultura, nos costumes e nas convenções da sociedade.

Folha - Existe ainda pensamento conservador no Partido Republicano hoje em dia? Como a senhora vê a vida política americana sob Barack Obama?

O Partido Republicano é um conglomerado de diferentes tipos que se consideram conservadores. Alguns fundamentam o apoio aos candidatos no programa econômico, outros no programa social ou na política exterior. Convergem na preocupação com o crescimento exagerado do governo e na intromissão na vida das pessoas.

Durante o governo do presidente Obama houve, internamente, uma expansão nos programas governamentais, e todos sabíamos que isso iria acontecer, mas o que tem surpreendido é ele ter continuado quase todas as políticas externas da era Bush.

Obama desapontou alguns dos partidários na esquerda, pois não foi capaz de implementar todas as políticas esquerdistas. Como os Estados Unidos são essencialmente um país centralista, rejeitam as posições extremadas. No entanto, caso os republicanos não se unam com entusiasmo apoiando um candidato, Obama será reeleito.

Folha - Qual a herança de Russell Kirk na vida acadêmica dos EUA?

A coluna que ele publicou na "National Review" por 25 anos foi extremamente influente nos círculos acadêmicos. Russell também deu palestras em inúmeras faculdades e universidades e lecionou em diversas delas por um semestre ou mais. Muitos de seus livros são usados nas universidades até hoje.

Além disso, a revista "Modern Age", que fundou há mais de 50 anos, tornou-se um fórum para intelectuais apresentarem suas ideias sobre educação superior e reforma do ensino.

As ideias de Russell também estão surgindo em outros países.

Tal interesse pode ser visto no número crescente de artigos e teses a seu respeito, bem como várias traduções de artigos e livros em línguas estrangeiras -não só em alemão, espanhol, italiano ou português mas em búlgaro, polonês, russo e japonês.

Folha -  O que um pensador conservador teria para dizer a um país latino-americano imerso em injustiça social e corrupção?

Ao mesmo tempo em que afirma a imperfectibilidade da natureza humana e de qualquer sistema de governo e a impossibilidade de alcançar o paraíso na Terra, o conservadorismo acredita num eterno contrato que une os vivos, os que já morreram e os que ainda estão por nascer.

Defende ainda que há coisas permanentes passadas de uma geração para outra, dentre elas, percepções éticas e convicções, numa espécie de "aliança intergeracional".

Os vícios e a falta de apreço pela lei resultam diretamente do declínio da religiosidade e de laços familiares sólidos que ajudem a infundir respeito pelo ordenamento jurídico, pela moralidade pública e privada e o favorecimento de uma vida virtuosa.

Russell acreditava que para haver ordem na sociedade é necessário, primeiro, haver ordem nas almas e nas vidas dos cidadãos.

Para ele, a sociedade moderna necessita de uma verdadeira compreensão do sentido de comunidade, que é o oposto de coletivismo; este substitui a diversidade por uniformidade, e a colaboração voluntária pela força.

Folha -  O que é ser uma mulher conservadora hoje? Apenas ser submissa? Qual a resposta que uma pensadora conservadora daria para o feminismo hoje?

É difícil falar de feminismo hoje, pois existem muitos significados para essa palavra ao redor do mundo.

Curiosamente, Russell escreveu, em 1957, um livro chamado "O Guia do Conservadorismo para a Mulher Inteligente". Nele afirmava que as mulheres são conservadoras por natureza, pois ao vivenciarem realidades fatigantes percebem a necessidade real de segurança.

Como homens e mulheres são feitos segundo a imagem e semelhança de Deus, têm igual dignidade e direito à vida eterna. A vida na Terra deve permitir que se complementem, o que significa que a mulher deve acolher e nutrir os filhos com o apoio de um companheiro amoroso.

Quem fornece os meios materiais para a família pode ficar a critério do casal. Normalmente tem sido o homem aquele que trabalha fora, mas, como têm surgido oportunidades para as mulheres em campos anteriormente indisponíveis, pode ocorrer que, em algumas circunstâncias, o casal escolha que a mulher trabalhe fora ou meio-expediente e o homem tome conta das crianças.

Esse fator não deve ser decisivo para considerar um determinado casal conservador. Mais importante do que ganhar "o pão de cada dia" é o casal se manter unido nas questões espirituais, morais e sociais e no modo de educar os filhos.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Books

Leitura de férias: Guia Politicamente Incorreto da América Latina, Leandro Narloch e Duda Teixeira



Leitura de pesquisa: O Mal no pensamento moderno, Susan Neiman


domingo, 1 de janeiro de 2012

Calendário artístico - 2012

O ano mal começa e boas notícias do mundo das artes já pairam no ar.
2012 será repleto de exposições imperdíveis e únicas. Eis a agenda principal:

MASP:http://masp.art.br/masp2010/
Janeiro: "Roma, a vida e os Imperadores".
Abril: Amadeo Modigliani
Maio: Giorgio de Chirico
Junho: Caravaggio






ITAÚ CULTURAL:http://www.itaucultural.org.br/
Segundo semestre: Centenário de Nelson Rodrigues

PINACOTECA:http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/#!prettyPhoto/0/
Março: Alberto Giacometti

MIS:http://www.mis-sp.org.br/
Maio: Polaroides de Andy Warhol


O primeiro do ano






sábado, 31 de dezembro de 2011

Gênio do humor e do suspense




The Birds.
Inacreditável como pode ser ao mesmo tempo terrível e cômico.
Coisas de gênio.
I love you, Hitch.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Filmes


Henry & June
Philip Kaufman
1990

Lindíssima e delicada interpretação de Maria de Medeiros para a escritora Anaïs Nin. Uma Thurman - jovem e linda - também se destaca no papel da gloriosa June Miller. E o triângulo amoroso se fecha com Henry Miller, interpretado por Fred Ward.





Em nome de Deus
Stealing Heaven
1988
Clive Donner

Bela e trágica história verídica do romance de Abelardo e Heloísa, vivida em meados do século XII.
Ele, filósofo e tutor; ela, jovem e aprendiz. A típica - mas nem por isso ordinária - história de amor medieval termina em tragédia quando o tio de Heloísa descobre o romance e manda castrar Abelardo. A essa altura, o casal já havia tido um filho (Astrolábio - "que mede a distância das estrelas e do paraíso") e casado em segredo. Abelardo então decide virar monge e Heloísa se torna freira.
Pena que o filme não conseguiu apreender toda a beleza, angústia e delicadeza que a história merecia, beirando, inclusive, ao mau gosto (típico dos filmes dos anos 80).

Abelardo e Heloísa estão enterrados no mesmo túmulo, um dos mais visitados do cemitério Pére Lachaise, em Paris.

Fujo para longe de ti,
evitando-te como a um inimigo,
mas incessantemente
te procuro em meu pensamento.
Trago tua imagem em minha memória
e assim me traio e contradigo,
eu te odeio, eu te amo."
Carta de Abelardo a Heloísa.

"É certo que quanto maior é a
causa da dor, maior se faz
a necessidade de para ela
encontrar consolo, e este
ninguém pode me dar, além de ti.
Tu és a causa de minha pena,
e só tu podes me proporcionar conforto.
Só tu tens o poder de me entristecer,
de me fazer feliz ou trazer consolo."


Carta de Heloísa a Abelardo






quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

No heart

Quem não é socialista antes dos 30 não tem coração. Quem é socialista depois dos 30 não tem cabeça.
Churchill




Perdi meu coração aos 20 anos. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O horror, o horror

Há algum tempo não me deparava com um filme tão absurdamente ruim: Little Ashes - Poucas Cinzas, traz a história até então pouco conhecida do romance dos jovens Salvador Dali e Federico Garcia Lorca.
Mas a história vai parar por aqui, pois não vale a pena ser contada. Não da maneira que este filme trouxe. Tudo é ruim: os atores - a começar pela angustiante escolha de Robert Pattinson para o papel de Dalí -  a música, o enredo, enfim, praticamente nada se aproveita. O filme acaba por fazer ode à "homoafetividade" (termo politicamente correto para sexo gay) e despreza a genialidade de Luis Buñuel, retratado no filme como fascista e antirrevolucionário.

Totalmente dispensável.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

sábado, 17 de dezembro de 2011

Feist

                     Uma das melhores músicas no novo Cd da Feist.
 Delicioso Cd.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Diário de bordo

Viajar bem é loteria. Nunca se sabe o que vai acontecer.
Já consegui assisitir bons filmes no ônibus. Nunca me esqueci de um filme dos anos 60, chamado Barefoot in the park. Um típico filme dessa década.
Mas na semana passada os motoristas deveriam estar melancolicamente afetados. Durante as 5 horas de viagem me distrai entre Cidade dos Anjos e Outono em NY. No mesmo dia, na volta, provavelmente acometido por um sentimento mais trágico (no senso comum), foi passado Vôo United 93. Resumo da ópera: sem chances de sobreviventes em nenhum dos filmes.
E eu cheguei muito bem disposta em meu destino.

Hoje fui muito bem acompanhada de Nelson Rodrigues e A Cabra Vadia durante metade da viagem. Enquanto isso, Marley e Eu embalava - entre um soluço e outro - a viagem da garota na poltrona da frente.

domingo, 30 de outubro de 2011

Um Conto Chinês


Um Conto Chinês
Un Conto Chino
Sebastián Borensztein
2011

Filme para fazer flutuar.
O cinema argentino é craque - e nessa quesito dá de 10 a 0 no Brasil - no que diz respeito à alma humana. De forma simples e clara, consegue transformar uma história banal em uma história inesquecível.
E afinal, não é exatamente isso que os gênios fazem: transformar o cotidiano inexpressivo em poesia?
Ei-lo.

sábado, 29 de outubro de 2011

Genealogia amorosa-musical

Minha vida, ultimamente, tem sido dividida entre trabalho e viagem.
E quem viaja sabe: tem-se muito tempo para pensar na estrada (principalmente para quem nem sempre consegue ler ou dormir, como eu).
E em algum momento dessas 18 horas por semana cheguei à conclusão que meu gosto musical foi (muito bem) composto através de minhas parcerias amorosas.

Fim dos anos 90: Pink Floyd, Metallica, Kiss
Passagem para o 2000: Itamar Assumpção, Alceu Valença, Walter Franco
                                   : Chico Buarque, Ivan Lins, Caetano Veloso, Tetine, Gershwin
                                   : Demônios da Garoa, Ceumar, Zeca Baleiro, Mestre Ambrósio
2001-2004: David Bowie, Sidney Magal
                 : Aretha Farnklin, Mark Knopfler
Desde de então: Los Hermanos
                        : Camille, Jamie Cullum, Air, Trio Curupira, Djavan, Diana Krall
                        : Cranberries, Amy Winehouse, Eddie Vedder.


 E viva a ecleticidade!



domingo, 9 de outubro de 2011

Saul Steinberg

Em exposição na Pinacoteca de São Paulo, até 06 de novembro.
Linda exposição do mestre da linha.


 Sem título, 1948



 Artistas e guerra, 1969




 Garota na banheira, 1949



 Trem


 A Galinha, 1945



Cowboys, 1952.



sábado, 1 de outubro de 2011

Uma noite em 67

Uma noite em 67
Documentário, 2010
Renato terra, Ricardo Calil




O que aprendi com este documentário:
A música que ganhou o festival - Ponteio, de Edu Lobo - é hoje uma ilustre desconhecida.  Uma pena.
Gilberto Gil ficou mais lesado que Ozzy Osbourne.
Roberto Carlos fica adorável cantando samba.
Eu faria o mesmo que Sérgio Ricardo. 



quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Entre a Graça e o Niilismo

Melancolia, de Lars von Trier e A Árvore da Vida, de Terrence Malick são filmes essenciais.
Melancolia já causou furor logo em sua estréia, em Cannes deste ano, por conta da declaração mal-interpretada de von Trier sobre Hitler. Apesar disto tê-lo tirado da competição, ajudou a divulgar o filme em todas a mídias. Mas não é esse o foco.
Melancolia é o filme mais niilista que já me deparei. Senti isso ao sair do cinema. Minhas pernas estavam presas ao chão, não conseguia me levantar ou mexer. Senti os fios de lã que a personagem Justine mencionava no filme. Personagem, aliás, maravilhosa: a própria encarnação da melancolia.

Em contraposição, A Árvore da Vida me pareceu um filme redentor. Entre a graça e a natureza, estamos nós no meio. Porque não faço o que quero e sim o que abomino? A atmosfera cristã que perpassa o filme todo é delicada mas persistente. As imagens belíssimas, a voz em off.
E no final de tudo só nos resta uma alternativa: permanecer nas mãos divinas. Pois do nada viemos e para o nada vamos.
Somos o pó do pó. E Ele é Aquele que sabe disso.

domingo, 4 de setembro de 2011

Lars Von Trier

das páginas amarelas da Veja:

Qual será seu próximo filme?
Vai se chamar Ninfomaníaca.
E do que se trata?
De uma nifomaníaca, ora, e de sua trajetória erótica. Prevejo que mulheres de todos os cantos do mundo vão querer me estrangular.


Hahahaha. Ei ri alto. Gosto cada vez mais de von Trier.

Exit Through the Gift Shop

Falar de arte não é uma tarefa simples.
Dar aula sobre isso então...é árduo (apesar de prazeiroso também).
A arte não está na ordem do dia - aliás, nunca esteve. Quando o aluno gosta, não há problema. O difícil é mostrar o sublime para aqueles que se interessam apenas por números ou cifras ($$$).
E foi então que me deparei com o documentário Exit Through the Gift Shop. Na verdade, quando o filme foi lançado e participou do Oscar dete ano, fiquei extremamente empolgada pois sempre gostei muito da arte de Banksy, mas pouco sabia sobre ele. Imaginei que ao assisitir esse filme conheceria mais sobre a arte/vida desse artista que não mostra o rosto jamais.
Puro engano.
Aquilo que começa como um documentário sobre a vida de Banksy se trasnforma num filme feito por Banksy sobre o cara que iria filmá-lo. Inesperado. Mais inesperado ainda é o rumo final do filme, que não vou revelar.
Mas o que seria uma discussão sobre arte de rua se transformou numa discussão sobre o que é arte e como chegamos a valorá-la (existe esse termo?) nas grandes galerias do mundo.
E assim volto à questão inicial: não há como obrigar ninguém a gostar de arte ou fazer com que entendam a importância dela para a vida se tornar suportável. Isso é uma descoberta individual.
Mas uma coisa o filme torna verdadeira: quem gosta de cifras ($$$) também pode gostar de arte, rs.
P.s.: o título já explica tudo.

Meia-Noite em Paris

Quando fui assistir a este filme não havia lido nada sobre, críticas ou resenhas, e tinha apenas em mente que deveria vê-lo por ser o último filme de Woody Allen. E isso já me bastava.
Minha surpresa foi tão agradável, tão imensa e deliciosa que jurei a mim mesma nunca mais ler sobre os filmes que desejo assistir, unicamente para ter o prazer da surpresa, o deleite da novidade e a exclusividade da primeira vez.
E assim foi com Meia-noite em Paris: o filme mais delicioso de todos os tempos, a história que eu gostaria de ter vivido ou ao menos escrito e filmado.
O sorriso que ficou estampado em meu rosto durante os 100 minutos de filme diz muito mais que críticas, resenhas e resumos. 
Como já ouvi ou li por aí: obrigada, Woody Allen, por tornar meus sonhos realidade!