terça-feira, 3 de maio de 2011

Nem Cristo aguentaria ser professor hoje em dia

Recebi por e-mail.
Já tinha lido em outra oportunidade, mas dessa vez faz muito sentido, de verdade.



Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem.
Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens.

Tomando a palavra, disse-lhes:
- "Em verdade, em verdade vos digo:
Felizes os pobres de espírito, porque  deles é o reino dos céus.
Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque  serão saciados.
Felizes os misericordiosos, porque eles..."

Pedro o interrompeu:
- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?

André perguntou:
- É pra copiar?

Filipe lamentou-se:
- Esqueci meu papiro!

Bartolomeu quis saber:
- Vai cair na prova?

João levantou a mão:
- Posso ir ao banheiro?

Judas Iscariotes resmungou:
- O que é que a gente vai ganhar com isso?

Judas Tadeu defendeu-se:
- Foi o outro Judas que perguntou!
Tomé questionou:
- Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?

Tiago Maior indagou:
- Vai valer nota?

Tiago Menor reclamou:
- Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.

Simão Zelote gritou, nervoso:
- Mas por que é que não dá logo a resposta e pronto!?

Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!
Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado  nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
- Isso que o senhor está fazendo é uma aula? Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica? Quais são os objetivos gerais e específicos? Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?

Caifás emendou:
- Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas? E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais? Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?

Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade. Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto. E vê lá se não vai reprovar alguém! Lembre-se que você ainda não é professor titular...




"Dai-nos forças, Senhor, para aceitar com serenidade tudo o que não possa ser mudado.
Dai-nos coragem para mudar o que pode e deve ser mudado.
E dai-nos sabedoria para distinguir uma coisa da outra."

domingo, 20 de março de 2011

Vahram Muratyan - Paris versus NY

Designer francês de ascendência armênia e suas criações minimalistas entre dois mundos: Paris e Nova Iorque. Sensacional.









Show do mês



Elvis Costello.
Credicard Hall, 05 de abril.
São Paulo.
Em plena terça, que pena...

domingo, 13 de março de 2011

Cabeças vão rolar!



Começando o dia corrigindo provas e fazendo cabeças rolar!
Yeah, yeah, yeahs - Heads Will Roll

quinta-feira, 3 de março de 2011

Cineminha


 Biutiful
2010
Alejandro Gonzales Iñárritu

Gosto bastante dos filmes de Iñárritu e este não fica atrás.
O filme é dotado de uma dramaticidade bem característica desse diretor (como em Amores Brutos e 21 Gramas), além do tema recorrente que é a multiplicidade "étnica": Iñárritu sempre trabalha com mais de uma nacionalidade em seus filmes e desta vez o pano de fundo é mais claro que nunca.



127 Horas
2010
Danny Boyle

Agonizador. 
A história é verídica: um rapaz fica preso pelo braço numa fenda de um canion norte-americano e tudo que precisa fazer, depois que acabaram, água e comida, é cortar fora o que o mantém preso. O braço, sim, o braço.
Existem traços da estética de Boyle (câmera rápida, flash). E, afinal, era necessário preencher o filme com algo além de uma pessoa que chega às últimas consequências para sobreviver.
Ainda prefiro Trainspotting.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

28 anos e 4 dias

Essa foto é fake, só pose. Eu ainda não voltei a beber cerveja! Hahahahaha.
Ainda.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Os bons dos últimos tempos

Nas andanças por Sampa consegui ver ótimos filmes.
Eis as dicas:

O Mágico
L'illusionniste
Sylvain Chomet
2010
França

Do mesmo criador do maravilhoso "Bicicletas de Belleville" e com o roteiro de Jacques Tati esta é sem dúvida a melhor animação do ano. O filme praticamente não traz diálogos e por isso mesmo não necessita de legendagem ou da horrível dublagem. A história é simples mas não ordinária. Uma mistura de melancolia, divertimento e tristeza.
Atenção para o dedo de ouro de Tati no roteiro, que chega a fazer menção a um de seus clássicos (Mon Oncle).




Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas
2010
Apichatpong Weerasethaku
Tailândia

Estranhoe difícil para o gosto brasileiro (a começar pelo tanto de gente na sala de cinema, não chegava a 5 pessoas).  Esse tailandês recebeu a Palma de Ouro em Cannes talvez por conta de sua esquisitice. O tio Boonmee sofre de uma doença renal e decide passar os ultimos dias de vida relembrando suas vidas passadas, juntamento com os fantasmas de sua falecida esposa e filho. As imagens são lentas e belas e os diálogos longos e por vezes extraordinários.




Cisne Negro
Black Swan
2010
Darren Aronofsky

A menina dos olhos do Oscar de 2011. E não por acaso. O filme é denso, digno de um noir, pendendo ora para o terror ora para o surreal. O diretor que não perde a mão nunca, pelo menos quando o assunto é impactar com imagens ( Requiem para um Sonho e A Fonte da Vida) também se supera quando o assunto é afundar na mente e desejos humanos (desde O Lutador).




Um Lugar Qualquer
Somewhere
2010
Sofia Coppola

Adoro Sofia Coppola. Não teve um único filme seu que eu não gostasse. Este também entra para a lista.
Uma história banal norte-americana mas com os requintes que só ela sabe usar: a música certa na hora certa, a pausa, o deslocamento de câmera, tudo se ajeita muito bem nesse filme. (Mas no topo da lista ainda está Encontro e Desencontros).



Além da Vida
Hereafter
2010
Clint Eastwood

A primeira cena de filme - que pode levar ao engano devido à tradução do título no Brasil - me impactou muito: o tsunami devastando a Tailândia. Incrível pensar que aquilo realmente aconteceu...
Mas a genialidade de Clint se dá no tema, na busca por um sentido sem maiores explicações e, acima de tudo,  nos finais. Adoro o modo como leva o filme e decepciona os blockbusters de plantão...rs


Ainda faltam alguns antes do Oscar e outros que ficaram para trás... só falta tempo para tantos desejos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Sampa

Ir a São Paulo é sempre uma aventura. Na verdade a considero minha cidade do coração mas ainda não sei se aguentaria morar nessa sin city por muito tempo.
De qualquer forma, consegui ir aos lugares que mais gosto desta vez, além de visitar outras partes da cidade ainda desconhecidas por mim.
Valeu a pena por ter visto minha amiga Lee (ainda que brevemente numa noite de acontecimentos insanos). Valeu por ter visto de perto a festa de início do Ano Novo chinês (ano do Coelho!).
Valeu por ter visto a maior quantidade possível de filmes na Augusta (e pela dica inusitada de Ronaldo Ésper na banca de camelô ao me apontar o "Cisne Negro").
Valeu por ter tido momentos inesquecíveis e por ter uma ótima companhia ao meu lado.
Supimpa.
 Itiriki Bakery


 Mercadão e sua variedade infindável de frutas exóticas


domingo, 30 de janeiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Multiuso

Comecei dando aula de História. (Claro, minha formação).
Depois passei também para Sociologia. (Ok, dei uma olhada durante meu curso).
Agora é História da Arte. (Ufa! Pela primeira vez minha pós serviu para alguma coisa...)
E hoje findei o dia com Filosofia e Atualidades.
Isso que é ser

domingo, 23 de janeiro de 2011

O chato de galochas

A tirinha mais pertinente ao momento: cai fora, chato de galochas! Se toca! Get out!

Taikô

Semana passada fui à uma apresentação inesquecível de Taikô. Em japonês a palavra significa "tambor".
O grupo veio do Japão para algumas apresentações no Brasil e Bauru os recebeu de braços abertos, já que uma de suas componentes é daqui.
A apresentação foi fantástica, nunca vi nada igual. Os tambores representam a alma do grupo mas não são os únicos instrumentos no palco: as flautas e pratos dão um tom mais sensível ao show.
O fugurino é o máximo, tudo muito colorido e brilhante. Mas o que mais chama atenção é a representação dos artistas: caras, bocas e gritos fazem parte da atuação extraordinária.
Pura beleza visual e sonora.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Caramelo

Sukkar Banat, 2007, Nadine Labaki

Filme franco-libanês delicioso. A história gira em torno de 6 mulheres que trabalham num salão de beleza em Beirute, cada qual com sua história e peculiaridade. Sutil e engraçado, toca em assuntos como a cultura religiosa daquele lugar - entre muçulmanos e católicos - e o cotidiano das famílias, como casamento, amor e é claro, a beleza feminina.
E por falar em beleza, a protagonista do filme (a linda atriz e diretora Nadine Labaki) é uma depiladora. Mas diferente daqui do Brasil, que se utiliza cera ou mel, lá o serviço é feito com caramelo (açucar em ponto de fio). Delicioso.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Tears for fears



Esqueça esse clipe horrendo, as roupas de mauricinho, o corte de cabelo xitãozinho e ouça a música.
Adoro.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Trilha de hoje



Teachers - Leonard Cohen


I met a woman long ago
her hair the black that black can go,
Are you a teacher of the heart?
Soft she answered no.
I met a girl across the sea,
her hair the gold that gold can be,
Are you a teacher of the heart?
Yes, but not for thee.

I met a man who lost his mind
in some lost place I had to find,
follow me the wise man said,
but he walked behind.

I walked into a hospital
where none was sick and none was well,
when at night the nurses left
I could not walk at all.

Morning came and then came noon,
dinner time a scalpel blade
lay beside my silver spoon.

Some girls wander by mistake
into the mess that scalpels make.
Are you the teachers of my heart?
We teach old hearts to break.

One morning I woke up alone,
the hospital and the nurses gone.
Have I carved enough my Lord?
Child, you are a bone.

I ate and ate and ate,
no I did not miss a plate, well
How much do these suppers cost?
We'll take it out in hate.

I spent my hatred everyplace,
on every work on every face,
someone gave me wishes
and I wished for an embrace.

Several girls embraced me, then
I was embraced by men,
Is my passion perfect?
No, do it once again.

I was handsome I was strong,
I knew the words of every song.
Did my singing please you?
No, the words you sang were wrong.

Who is it whom I address,
who takes down what I confess?
Are you the teachers of my heart?
We teach old hearts to rest.

Oh teachers are my lessons done?
I cannot do another one.
They laughed and laughed and said, Well child,
are your lessons done?
are your lessons done?
are your lessons done?






Mon Petit Vieux - Camille

C'est lui sur le banc de square
C'est mon ami, mon amoureux
Et ça fait rire les pigeons
Parce que c'est un petit vieux

Nos rendez-vous c'est pas comme dans les films
Je cours vers lui il reste assis
Un jour il m'a même dit:
Tu es la femme du reste de ma vie
Les gens croient qu'il ne me touche pas

Mais il me touche, mon petit vieux
C'est beau ses rides autour des yeux

Des fois quand il est tard
Y'a ses potes qui l'attendent au bar
Une bière
Deux bières

Et il me parle pendant des heures
Des vies qu'il a perdues de vue
Lui au moins il n'a rien à perdre
Alors que moi je n'ai rien vu
Les gens croient qu'il ne me touche pas

Mais il me touche, mon petit vieux
C'est beau ses rides autour des yeux

Un jour on est allé danser
C'était ni techno ni reggae
Il m'a pris doucement la taille
Et j'ai senti sa main trembler

Y'avait des lumières chaudes et claires
J'entendais le bruit de ses pas
Et tout à coup j'me suis sentie
Tout près de l'au-delà
Les gens croient qu'il ne me touche pas

Mais il me touche, mon petit vieux
C'est beau ses rides autour des yeux
Mais il me touche, mon petit vieux
C'est beau ses rides autour des yeux
On dirait l'ombre des arbres sur le ciel
Bleu, bleu, bleu

domingo, 16 de janeiro de 2011

Ainda algumas fotos dessa época da pós:

 A exposição "Umbigo do Mundo"


 Fernando ao centro, sentado.


Michela, Roger, eu , Cassi e Laila no Bar do Jaime: a melhor feijoada de Londrina!

Nostalgia

Revirando minhas coisas da pós em História da Arte descobri alguns tesouros.

Encontrei textos que nem me lembrava de ter lido e de outros que nunca sairam de mim (como o incompreensível "Teia da Vida", de F. Capra).

Sou nostálgica por natureza. Não poderia ser de outra forma. Sou exatamente o que deveria ser: uma pessoa que vive de histórias (algumas guardadas no baú da memória e outras muito bem esquecidas no porão).

Deu muita saudade. Dos amigos, dos professores, das aulas.

De algumas aulas me lembro exatamente como era: em uma delas o Fernando, professor de semiótica e fotografia, nos fez mudar os nomes e conceitos das coisas para explicar a semiótica. Ainda não entendo bem o que é mas a aula ficou gravada. Sem contar na "meditação" que ele aplicava todo começo de aula. Eu, muito irriquieta, não conseguia ficar os minutos em silêncio. Ele ria. Ria da minha postura em colocar os pés sobre a carteira. Fez uma linda exposição de fotos chamada "O umbigo do mundo". Claro que eu e meu umbigo estávamos lá também.
Outra aula inesquecível era a da Almerinda. Doutora em arte brasileira. Ela não se utilizava de texto de apoio, papel algum. Contava tudo de cabeça. Virei fã.
E tinha também o português Olympio, um doce de professor. Falava sobre as poéticas digitais, de uma sabedoria invejante. Mora no meu coração.
E claro, a minha orientadora na época, Marta Dantas. Linda, artística. Foi realmente um prazer.

Dos amigos restam as lembranças, alguns sumiram (Augusto, Jeferson, Michela, Alethea, Carlos, Ana), outros continuam em contato virtual (Roger, Lú, Lisa, Cassi, Juliana, Agda). Thank u, facebook!

Mas o que me impressionou foi achar um bilhete escrito à mão e caneta bic preta entre os textos de fotografia, imagem e semiótica, dizendo o seguinte:

"Frase da camiseta de Flávia: 
O dragão chinês-psicodélico bafora um hálito surreal - fogo de novas significações".

Não consigo entender a assinatura do bilhete e lembro vagamente do dia em que o recebi.

Por momentos como esse que continuo a gostar cada vez mais do que faço: recolher e guardar histórias.