Sempre que venho a São Paulo não resisto a um passeio na Liberdade. Pra falar a verdade eu faço questão de vir sempre aos domimgo só por causa da feirinha que tem lá. Desta vez, além dos famosos bolinhos (Tako-Yaki) fui num lugar que já conhecia de passagem mas dessa vez resolvi ficar: Bakery Itiriki. É a padaria mais charmosa que já entrei no Brasil. Destaque para o self-service de doces e pães, além de vários tipos de sucos e bebidas especiais. Puro luxo gastronômico.
"Hospitais e cemitérios são lugares excepcionais para fazermos filosofia. Imediatamente, é reestabelecida, em minha alma, a consciência do punhado de pó que sou. A cada doença, o pó toma o lugar do corpo. Eis a agonia interna da alma se fazendo presente".
Do mesmo diretor de "Juno", com a mesma graça mas um pouco mais de maturidade - ou sensibilidade - este é um dos mais gostosos filmes do ano.
A revista Bravo! do mês passado citou Amor sem Escalas como um filme de bons diálogos, ao lado de Casablanca e Quanto mais quente melhor. E , apesar de não chegar a ser um clássico (não acredito que chegará a ser um dia), é um filme com um roteiro muito bem escrito. Os diálogos são rápidos e deliciosos - daquele tipo que, depois que falamos besteira, pensamos: "Porquê não pensei numa resposta como essa?" ou ainda "Essa fala poderia ser minha". Real e direta.
Nos mesmos moldes de "Paris, je t'aime" este é um filme composto por vários diretores, com várias histórias diferentes e todas, sem exceção, são lindas, lindas, lindas.
Como ultimamente tenho ido ao cinema apenas para me aborrercer (filmes desnecessários citar, como "Um olhar no Paraíso", afffff) esse foi um colírio, um refresco para a alma cinéfila. O difenrencial deste filme com 'Paris, eu te amo" é que, invés de cada diretor fazer uma história fechada, com começo, meio e fim, aqui os diretores se uniram em várias histórias que se entrelaçam em uma única. Quase um "Magnólia" mas ainda assim diferente. Maravilhoso.
Parece que saí de um jejum literário. Quando mais nova, na adolescência, costumava ler pilhas de livros por mês. Sim. Eu tinha tempo. Depois da faculdade as coisas nunca mais foram as mesmas... Agora, estou na ativa de novo!
Últimas preciosidades:
Guia politicamente incorreto da hitória do Brasil
Leandro Narloch.
O livro tá dando o que falar (na lista dos mais vendidos), afinal, quando se trata de ser politicamente incorreto esse cara aí é mestre. O autor buscou, com base em fontes históricas, desmistificar uma boa parte de nossa história, como , por exemplo, que a esquerda "revolucionária" no Brasil foi uma resposta ao endurecimento da ditadura militar. Bullshit. Os esquerdológicos já se movimentavam bem antes do Golpe de 64. Entre essas e outras, Narloch imprime um certo tom sarrista e sarcástico. O livro é uma delícia, de cabo a rabo.
Do Pensamento no Deserto
Luiz Felipe Pondé.
O mais recente livro de ensaios de Pondé, englobando filosofia, teologia e literatura. Não nego: o livro é dificílimo. Há que se conhecer todo um vocabulário específico filosófico-teológico. Um outro Pondé se mostra aqui, mais acadêmico que nas colunas de segunda na Folha, mas não menos precioso. Aliás, livro obrigatório para os amantes de Dostoiévski e afins da filosofia.
O ano letivo começou, então agora quase não me resta mais tempo para o blog ( e menos ainda para os filmes..aiai). Então não tive tempo de falar sobre o livro do Tiago, de Portugal, meu grande amigo. Tiago me enviou esse grande presente que por coincidência (ou não ) recebi no dia seguinte de meu aniversário. "Máquinas sem rosto" é feito de poesia e se percebe claramente, entre uma linha e outra, a presença marcante que o Brasil deixou no autor. Eis um pedacinho:
Brasil do meu princípio... I Parte Há uma mesma palavra em todos os meus versos Em tudo o que ele me ensinou, sem saber. Quero encarar todas as experiências; Comover-me no mastigar concreto de sua prosa E Confundí-las nas matrizes do tempo de Rosa. É nessa clandestina noite de exílio Que surge essa canção suja a degolar, Um Brasil imenso de nome - Gullar.
Valeu, Tiga! Também pretendo um dia visitar-te e escrever sobre o Tejo!
De alguns dias pra cá tenho revisto filmes. Na verdade sempre que posso assisto de novo aqueles que me marcaram.
O Senhor das Moscas The Lord of the Flies Harry Hook 1990
Remake cinematográfico do livro homônimo (1952) do escritor William Golding sobre a queda de um avião numa ilha deserta. Não fosse pelo fato de estar repleto de crianças de uma escola militar o filme seria banal. A história expõe os instintos humanos na sua forma mais pura, sem verniz. As crianças - todos meninos - logo se veem sem direção, sem comando e livres de qualquer ação de adultos ( o único adulto presente no avião, o piloto, sumira numa tempestade na ilha). Rapidamente um líder se levanta para comandar esse grupo e a disputa pelo comando da ilha começa. O que era para ser um paraíso acaba por se tornar um pesadelo: os animaizinhos estão à solta e o que há de mais instintivo dentro do ser humano vêm à tona: o egocentrismo, a animalidade, a violência, o busca pelo poder. Assisti a este filme muitos anos atrás e sempre quis revê-lo. Agora a vontade de ler o livro é maior ainda. O filme faz apenas uma citação para que se entenda que estão durante a Guerra Fria ( um dos meninos diz que tem medo de ser levado pelos russos e ser forçado a participar das Olimpíadas...rs). Mas pelo pouco que li sobre o livro, o grupo está fugindo de um ataque nuclear ocorrido na Inglaterra. Um ótimo filme, sem dúvida alguma.
Antes do pôr-do-sol Before sunset Richard Linklater 2004
Um dos melhores filmes de Linklater.
Trata-se da continuação de outro filme de Linklater, chamado "Antes do amanhecer", com os mesmos dois únicos personagens, interpretados brilhantemente por Ethan Hawke e Julie Delpy. O casal que se conheceu num trem em Viena se reencontra em Paris 9 anos depois.
Os diálogos são lindos e fantásticos (marca registrada de Linklater) e a 1 hora e meia de filme passam quase despercebidas.
Ao logo do filme os personagens passeiam por Paris, mostrando as belezas da cidade como pano de fundo do reencontro. Lindo, lindo.
Não consigo nem mesmo classificar o filme como romance. Seria pouco para tanta beleza e espontaneidade. Destaque para a cena final: maravilhosa!
Histórias de terror são clássicas e sempre gostei.
Esta é a mais nova versão para as telas de um desses clássicos: Benicio Del Toro, depois de encarar "Che" vive agora um inimigo um pouco menos mortal: o próprio Lobisomem.
O diretor ("Jumanji") prezou pelo tom darkness (of course) no filme e não poupou sangue. Tudo como manda o figurino.
O último foi "O Sobrevivente", bom filme mas faltava algo de Herzog nele.
Confesso que o Herzog de "Kaspar Hauser" não consigo enxergar em nenhum outro filme.
Mas com esse aqui descobri uma nova veia de Herzog: o tino para o humor negro. Não, não esse humor negro a que estamos acostumados mas um humor ácido, delirante e até frenético.
O filme é uma refilmagem ( 1992, de Abel Ferrara, com Harvey Keitel) e trata da vida de um policial junkie que tira proveito de seu distintivo e arma para conseguir drogas nas noites de New Orleans pós-Katrina. Fantástica atuação de Nicolas Cage (ok, ele continua com aquela cara de bêbado de "Despedida em Las Vegas" e a mesma cara de peixe morto de "Cidade dos anjos") como personagem principal: o policial que consegue tirar vantagem de todos os traficantes do pedaço e ainda tem como namorada a mais bela das prostitutas: Eva Mendes.
Já Val Kilmer aparece no filme apenas pra dizer "oi".
Herzog mudou com o tempo, assim como o cinema mudou com as novas tecnologias (se bem que eu assistia a alguns curtas em São Paulo, mudos e em p&b que em nada perdiam para as animações de hoje em dia). Mas Herzog consegue ser múltiplo: é dramático, histórico, realista...a cada filme uma nova faceta é descoberta.
O cinema perderá um de seus grandes o dia que Herzog passar desta para a outra...
Gervásio Troche é um dos melhores cartunistas argentinos do momento. Morou na França ainda pequeno e hoje está em Montevidéu. A Bravo! deste mês destacou o trabalho dele.
Os franceses são os reis da melancolia. E eu adoro filmes melancólicos.
Neste filme a personagem principal - Juliette - sofre ao se ver tendo que refazer uma vida que já havia esquecido: Juliette ficou 15 anos na prisão por assassinato. Ao sair de lá é recebida por sua irmã - Lea - uma jovem professora universitário de literatura, que não consegue se perdoar pelo abandono à irmã durante todos estes anos. Ao longo do filme percebe-se a delicadeza das conversas e dos sentimentos e a sutileza do diretor em manter em suspense até o final do filme os reais motivos desse crime.
Destaque para a citação a Dostoiévski numa cena em que Lea discute "Crime e Castigo" com seus alunos e o compara com a situação que está vivendo.
Julia Child foi uma das maiores e melhores cozinheiras dos EUA, assim como nossa querida e finada Ofélia aqui no Brasil. Julia Child era doce, simpática e muito bem humorada. Eu nunca tinha ouvido falar em Julia Child até ontem a noite, ao assistir Julie & Julia. A Julia do filme é interpretada por Meryl Streep (adoro) e consegue ser ricamente fiel à original.
Já a Julie que o filme se refere é Julie Powell, autora de um blog que virou livro, que virou filme, sobre Julia Child. Na verdade tudo surgiu de um desafio que Julie propôs a si mesma (!!!) que consistia em cozinhar as 524 receitas do livro "Dominando a Arte da Cozinha Francesa", de Julia Child, em 1 ano. Para tanto escrevia diariamente suas aventuras gastronômicas em um blog que acabou por virar o livro e depois este filme.
O filme é delicioso em todos os termos. Inevitável ficar com fome e babando durante a execução das receitas (tanto as de Julia como as de Julie). Meryl Streep está fantástica como sempre . A trilha sonora ajuda bastante e conta com uma versão lindíssima de "Time after Time".
Julie & Julia passa a fazer parte daquela minha velha lista de filmes para se comer.
O filme Avatar tem dado o que falar. Para o bem e para o mal. Eu particularmente odiei o filme, quis abandonar na metade, mas acabei ficando até o final. Clichê até o último frame, Avatar está sendo ovacionado e com certeza levará milhões de estatuetas neste domingo de Oscar. Mas o que importa é que filmes de fantasia mexem com os desejos humanos. Eu mesma me vejo sempre em um filme do Almodóvar ou de Burton. O problema é não saber o limite entre aquilo que se deseja e aquilo que você realmente quer se tornar. Está acontecendo um surto de "pandorismo"nos EUA onde as pessoas verdadeiramente querem morar em Pandora, já que a vida aqui já não é mais suportável. Afinal, quem não quer ser alto, magro e ágil, voar num ser alado e conectar seu "rabinho" com a natureza?
Essa garota é só um dos exemplos de surto "Na'vi" por aí. No caso dela, como afirma, está solteira e procura seu próprio "sexy man". Bem típico da nossa época: não se fala mais diretamente com as pessoas, mas diante de uma câmera, a coisa rola solta.
Esse é um dos mais incríveis e loucos filmes que já assisti. Fugindo das roteiros sérios (mas não menos belos) e comuns japoneses, este filme mistura várias histórias diferentes que se unem em algum ponto da trama, à lá Magnólia. Com cores ultra vivas, faz uma mistura kubrickana com Matrix: a mulher que é morta por seu mardio e volta todas as vezes da morte para perseguí-lo, o pai de família que vira um pássaro num show de hipnose, a executiva da área de publicidade que tem ideias maluquíssimas para suas propagandas...enfim, histórias fantásticas que vão fazer desse um dos melhores filmes na minha lista.
Destaque para o único ocidental no filme, o inglês Vinnie Jones, um dos atores preferidos de Guy Ritchie.