terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O descaso da coisa pública - parte I

Sei que vai parecer redundante e óbvio tudo isso que vou dizer, mas não tenho como segurar.
Hoje fui na Diretoria de ensino aqui da cidade, entrar com recurso já que não fui aprovada como professora eventual e tal. Desde o começo de todo esse processo eu já sabia da burrocracia, da lerdeza e da ineficiência que a coisa pública gera, mas hoje foi o cúmulo.
A começar pelo site, de difícil navegação e falta de informações fui impelida a ligar no tal departamento. Minutos depois de vãs tentativas, alguém atendeu ao telefone e julgando ser uma mera telefonista( emotion de espanto) bateu o gancho na minha cara logo após dizer que não sabia me dar a informação desejada.
Peguei todos os documentos que julgava necesários e lá fui eu, rumo ao dito departamento. Chegando lá várias pessoas já se aglomeravam na porta, nos corredores, em filas, na frente dos painéis tentando achar quaisquer informações. E eu lá. Depois de meia informação na mesa de informações (digo meia pois a informante só soube me informar metade da informação) rumei para uma sala cuja porta se encontrava trancada e ninguém sabia onde estavam as chaves.
Pra resumir, depois de um tempo soube por outras pessoas que buscavam tantas informações quanto eu que ainda não havia uma lista exata da seleção para professores e ninguem sabia dizer quando a tal lista seria entregue.
Voltei pra casa sem saber como , onde e nem quando recorrer.
E ainda me perguntam porquê eu não queria ser professora pública.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Oh,Baby Jane!

O que terá acontecido a Baby JAne? Robert Aldrich. 1962.

Thriller fantástico com Bette Davis.
Incômodo, desconcertante, um ícone.
Com certeza o filme base de todos os thrillers dalí pra frente.
Do tempo em que ator era sinônimo de atuação impecável.



quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

James e Jerusalém


A jornada de James para Jerusalém. Ra´anan Alexandrowicz. 2003.
James é um sul-africano jovem que se pretende tronar pastor e parte de sua aldeia para peregrinar em Jerusalém. Já no aeroporto James é detido e vai para a prisão, donde sai sob fiança - paga por um judeu que vive de empregar imigrantes ilegais como faxineiros. James vai se adpatando à vida que lhe é imposta e assim também vai perdendo aos poucos o olhar inocente que com ali chegou. O sonho de conhecer Jerusalém vai se desfazendo conforme se rende ao capitalismo subliminar do dia-a-dia. A Cidade Santa já não se propõe assim tão imaculada.

No country



Onde os fracos não têm vez. (No country for old man). Joel and Ethan Coen. 2007.

A vasta filmografia dos irmãos Coen permite dizer que este é um bom filme. Esses caras têm no currículo filmes como a comédia odisséica(?!) E ai, meu irmão, cadê você? , o humor negro de Matadores de velhinhas, o astucioso Fargo e o delicioso Tuilleries de Paris, eu te amo.

Onde os fracos não tem vez não é excepcional, não faz parte do meu rol de filmes du coer mas é um bom filme. Javier Barden está perfeito no papel do matador de aluguel. Cara de louco, jeito de louco, em suma: um louco com uma pistola de ar e um cilindro nas mãos. Eis um western moderno!

Num país que importa e exporta violência nada mais há de se esperar.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

o ano e o passado


O ano começa literalmente novo para mim.
Deixei para trás o serviço burocrático para finalmente me tornar professora.
(emotion de espanto)
E para tanto tive de revirar os papéis e o baú da memória para relmebrar o que já foi estudado (e esquecido, memória seletiva é o que há).
E no fim ainda não entendo o porquê de tanto papel na minha vida. Mas enfim , vamos lá. É história que não tem mais fim.

História antiga
História medieval
História moderna
História das Américas
História do Brasil
História contemporânea
Filosofia
Geografia
Antropologia
Introdução à história
Teoria da história
História da arte
Affff.
Disso tudo o que realmente serve pra vida?


Je ne veux pas travailler
Je ne veux pas déjeuner
Je veux seulement oublier...






Imagens aleatórias sobre história.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

As intermitências da morte

Ganhei um dos últimos livros do Saramago - As intermitências da morte.
Nem preciso dizer o quanto é fantástico. Saramago raramente erra nos temas escolhidos, mas este em especial é deveras interessante. A morte passa a personagem principal da trama quando resolve entrar em greve. Isto mesmo: niguém morre mais. É chegada a hora da tão esperada eternidade. O que niguém contava com isso era o batalhão de problemas que junto dela se acarretavam. Em pouco tempo não haveria espaço para os moribundos nos hospitais, para os velhos dos asilos, e as funerárias e agências de seguros de vida chegariam à falência. Sem contar que a morte passava de problema filosófico à político. Isso quando então o cardeal traz à tona o maior problema de todos: a Igreja Católica sucumbiria com a falta de morte, já que sem morte não há ressurreição.
E por ai vai. Um novo fôlego para um ano que se inicia. Aproveitando que no enredo do romance, é também na virada do 31 de dezembro que a morte decide tirar umas férias para nunca mais voltar.

domingo, 2 de dezembro de 2007

De doer

Piaf. (La môme)*. Olivier Dahan, França, 2007.
Essa será, talvez, uma das mais belas bigrafias retratadas pelo cinema em todos os tempos. E talvez - apenas talvez - eu esteja erada, mas foi esta a sensação que tive ao sair do cinema hoje após a sessão de Piaf - um hino ao amor (título em português, terrível por sinal).
Edith Piaf foi - e agora com muita certeza - a melhor intérprete da música francesa que o mundo pôde prestigiar.
Assim como na maioria das biografias cinematográficas a vida da personagem é destrinchada ao ponto de levar o público às lágrimas e não só pela forma que é contada a história mas pelo teor trágico da vida em questão. E não me venham falar em melodrama, pois está longe de o ser.
Por várias vezes enquanto o assistia me lembrei de outro filme biográfico tão desgraçado (sentido literal de infelicidade) quanto este, que é o Frida , e fiquei a pensar quão presentes são a dor e o sofrimento na vida de algumas pessoas e o tanto que isso as influenciam na expressão artística, no primeiro caso a música e no segundo a pintura.
Eis algo no que pensar. Nunca deixei de acreditar que a dor nos impele à mudanças muitas vezes drásticas ( e nem sempre trágicas).
Taí a dica de dois filmes para pensar, chorar e se encantar.
* La môme significa ao pé da letra "criança", mas o termo se refere à "pequena" e piaf à "pardal".

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

filmes, filmes

O passado. (El passado), Hector Babenco. Argentina, 2007.
Rímini é um jovem belo e talentoso, que ao o final de um casamento de anos se depara com o passado a cada passo que dá em rumo a uma nova vida - leia-se novas mulheres. Um filme fora dos padrões , não de narrativa ou de roteiro, mas da própria forma de se encarar a vida. Trágico feito um tango argentino.



A Massai Branca. (Dei weisse massai) , Hermine Huntgeburth, 2005.

Baseado em fatos verídicos, conta a história da sueca Carola, que abandona sua vida européia para acompanhar de perto a vida dos guerreiros massais, inclusive casando-se com um deles, Lemalian. No deserto africano descobre uma nova forma de viver e em que isso implicaria para o resto de sua vida. Não é nem preciso dizer que que no fim tudo dá errado. Coisas que nenhum tipo de antropologia poderia explicar ( ou que qualquer mané pode entender). É a vida.
De qualquer forma vale ser visto ao mínimo pela bela fotografia.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Desconstruindo flávia

Já estive em fases "Lolita", assim como outras mais para "Hair" e ainda tantas "Odisséia".
Mas agora me encontro num momento totalmente "Desconstruindo Harry".
E quem disse que a arte imita a vida?

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Paris, je t´aime

É quase uma redundância falar que um filme sobre Paris é sensível, delicado e irresistivelmente amoroso. Mas como não o dizer? O sentimento é um só: prazer à flor da pele!
É disso que trata Paris, eu te amo. Vários diretores resumiram da melhor forma possivel em 18 curta-metragens o que Paris representa em cada visão. E em cada visão uma nova forma de olhar se abre, um toque não descoberto, um detalhe que antes passava desapercebido e agora se torna um todo representativo, pessoas, sentimentos, todos decupados num mesmo ambiente: Paris!
Cidade de todos os amantes, mesmo aqueles que já deixaram de amar; de todas nacionalidades, de todos os tipos de sentimentos, da miscelânia que este século representa; o próprio século do cinema resumido em uma única película. De tudo um pouco pôde-se perceber: o automatismo hollywoodiano, a beleza e delicadeza da lente européia, a loucura que o novo oriente se propõe e desperta.
Tudo se destaca. Tudo em especial. o filme deve ser visto como um todo apesar de cada parte aparentar tanta independência. Destaque para a música de Camille ao fundo do episódio “Porte de Choisy”, de Christopher Doyle.
O amor se apresenta em todas suas facetas, seja na pele de uma mãe em luto, de um vampiro sedento (à la Sin Citty), do amor pela liberdade, pela solidão em meio à multidão, por aquele amor recém descoberto (que nem se sabia mais que amava) ou aquela paixão arrebatadora. Enfin, vive la amour!

Eis as dezoito historietas:
Bruno Podalydès (episódio "Montmartre")
Gurinder Chadha (episódio "Quais de Seine")
Gus Van Sant (episódio "Le Marais")
Ethan Coen (episódio "Tuileries")
Walter Salles (episódio "Loin du 16ème")
Christopher Doyle (episódio "Porte de Choisy")
Isabel Coixet (episódio "Bastille")
Nobuhiro Suwa (episódio "Place des Victoires")
Sylvain Chomet (episódio "Tour Eiffel")
Alfonso Cuarón (episódio "Parc Monceau")
Olivier Assayas (episódio "Quartier des Enfants Rouges")
Oliver Schmitz (episódio "Place des Fêtes")
Richard LaGravenese (episódio "Pigalle")
Vincenzo Natali (episódio "Quatier de la Madeleine")
Wes Craven (episódio "Père-Lachaise")
Tom Tykwer (episódio "Faubourg Saint-Denis")
Gérard Depardieu e Frédéric Auburtin (episódio "Quatier Latin")
Alexander Payne (episódio "14ème Arrondissement")



Quais de Seine, de Gurinder Chadhacom Leïla Bekhti e Cyril Descours
Tuileries de Joel e Ethan Coencom Julie Bataille, Steve Buscemi, Axel Kiener e Frankie Pain


Le Marais de Gus Van Santcom Marianne Faithfull, Elias McConnell e Gaspard Ulliel
Tour Eiffel de Sylvain Chometcom Yolande Moreau e Paul Putner

Père-Lachaise, de Wes Cravencom Emily Mortimer, Rufus Sewell e Alexander Payne
Place des Victoires de Nobuhiro Suwacom Juliette Binoche, Martin Combes, Willem Dafoe e Hippolyte Girardot

Quartier Latin, de Gérard Depardieu e Frédéric Auburtincom Gena Rowlands, Ben Gazzara e Gérard Depardieu

Parc Monceau, de Alfonso Cuaroncom Nick Nolte, Ludivine Sagnier e Sara Martins

Quartier des Enfants Rouges, de Olivier Assayascom Maggie Gyllenhaal, Lionel Dray e Joana Preiss
Pigalle, de Richard LaGravenesecom Fanny Ardant e Bob Hoskins


Quartier de la Madeleine, de Vincenzo Natalicom Elijah Wood, Olga Kurylenko e Wes Craven

Place des Fêtes, de Oliver Schmitzcom Seydou Boro e Aïssa Maïga
Faubourg Saint-Denis, de Tom Tykwercom Natalie Portman e Melchior Beslon

Loin du 16ème, de Walter Salles e Daniela Thomascom Catalina Sandino Moreno

14ème arrondissement de Alexander Paynecom Margo Martindale

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Mostra

31 ° Mostra Internacional de Cinema

Em São Paulo. Lógico.

Começa amanhã e vai até dia 1°.

Trés bien!


segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Brasil: o país do cinema (take 1)

O Brasil está voltando a ser referência no cinema mundial. Ok, nada comparado à época de Glauber - e talvez nunca mais retorne a isto, mesmo porquê como Glauber nunca mis haverá e isto é fato. Mas de tempos em tempos aparece alguém tentando fazer algo de bom na sétima arte.
Semana passada pude comprovar um pouco disso num pacote duplamente bom: comédia e tragédia.

Começando por O homem que desafiou o Diabo , de Moacyr Góes.






Depois de "O Auto da Compadecida" todos os filmes baseados na vida nordestina parecem iguais. Ledo engano. O fato é que o retrato da vida severina é este mesmo - ou se fala em paródia ou se documenta de fato. E como comédia é sempre mais rentável eis o filme! Mas o que se destaca neste em especial é a participação de Helder Vasconcelos , ninguém menos que o vocalista e percussionista do grupo Mestre Ambrósio, referência da boa música do Recife. Helder contracena na pele do Diabo à altura de qualquer outro ator em cena. O filme é leve e divertido como um cordel. Eita coisa boa da gota serena!



Continuando a saga não poderia deixar de ver Tropa de elite - o filme mais comentado do ano, por enquanto. E sem dúvidas leva o merecimento de tal.


O diretor atirou para todos os lados e acertou. Ninguém saiu ileso do julgamento: polícia, político, traficante, fogueteiro, pobre, classe média, universitário, repórter, ong, enfim, todos são culpados até que se provem o contrário. Bem estruturado, o filme é uma narrativa sem idas e vindas. O desenrolar da história caminha junto aos acontecimentos e não há escapatória. A história só prova o que todos já deveriam saber: não há saída.

domingo, 7 de outubro de 2007

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Blindness

"Se pode olhar, veja. Se pode ver, repara"
Essa frase foi retirada do livro "Ensaio sobre a Cegueira", de José Saramago.
Quando o li, há mais de 5 anos - bem mais - fiquei estarrecida.
O fiz em poucos dias, mal esperava poder chegar em casa à noite para continuar a história que cada vez mais e mais me prendia e fazia crescer a ânsia do final.
Como algumas linhas (muito bem traçadas) podiam mexer tanto com meu ser?
E enquanto lia, tudo aquilo se transformava em imagem, cenário e personagens na minha cabeça.
E pensava comigo: um dia quero filmar tudo isso e será lindo.
Claro, nada aconteceu, não filmei. Fui estudar história por 5 anos e lá ficou guardado o desejo de ver um dia na big screen a história mais sensível de todas que já tivera notícia.
Mas enfim é chegada a hora.
Fernando Meirelles está a filmar Blindness, adpatação do texto de Saramago para o cinema. E não é qualquer cinema, estamos falando do diretor de Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel.
No elenco Julianne Moore, Gael Garcia Bernal, Mark Rufallo, Sandra Oh e Danny Glover.
E claro, um cachorro bem grande para interpretar o Cão das lágrimas, meu personagem favorito.
Para mim é o filme mais esperado do ano (que vem).
No título está o link para o Diário de Blindness. Meirelles é além de tudo um ótimo escritor.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Mad


Madeleine Peyroux
Depois da apresentação no Festival de Música de Ouro Preto é a vez de Sampa, Via Funchal.
E eu por aqui fico chupando o dedo.

sábado, 15 de setembro de 2007

Tietagem


Ontem pudemos presenciar um show muito peculiar, pelo menos pra Bauru.
Cesar Camargo Mariano.
Nem preciso dizer o tamanho da qualidade dessa noite, né? O cara deu conta sozinho de quase 2 horas de show. Ele , o piano e uma platéia estarrecida.
Sesc, lógico.
E nosa tietagem aí estampada.

terça-feira, 11 de setembro de 2007



Rosencrantz e Guildenstern estão mortos . Tom Stoppard. 1990.

Este filme é um achado. Quando o assisti pela primeira vez, por volta dos 17 anos, nunca mais me esqueci. E também nunca mais o encontrei pelas prateleiras das locadoras. Isso até domingo. Agora é pra sempre. Um achado.
A história é hilária - pra não dizer dramática, afinal trata-se de Hamlet. Rosencrantz e Guildentern são personagens menores da história de Shakespeare, mas não neste filme. O diretor Tom Stoppard satiriza e dá mais vida à tediante tragédia inglesa ao verbalizar a genialidade dos personagens. E não é para menos, já que o mesmo também fez o roteiro de Brazil, de Terry Gilliam.
Enfim, só assistindo pra saber do que falo.
Ah, destaque para o jogo de tênis com palavras.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Boas novas (não tão nova assim)


Ridley Scott está lançando a última versão de Blade Runner - The final Cut.
E eu acho isso o máximo. Blade Runner é show.
Provavelmente seja o único filme com Harrison Ford que eu realmente goste.
E quantas vezes for lançando tantas vezes eu aplaudirei.
Vida longa a Blade Runner!


Para saber na íntegra clique no título.


de lascar

Estou de molho em casa numa gripe ferrada.
Isso em quase véspera de feriado é de lascar.