domingo, 6 de maio de 2007

Virando-se (me)



Perdi a Virada Cultural em Sampa.


É nessas horas - e em todas as outras - que desejo morar lá.


Aqui em Bauru vai rolar uma tentativa de Virada lá pelo fim do mês. Veremos.


Enquanto isso...vou me virando por aqui.


sexta-feira, 4 de maio de 2007

Ozéas Duarte

ANTES ARTE
DO QUE TARDE
Grafiti de Ozéas Duarte. 2007.
Clique no título para ir para o site.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Elsa & Fred

Elsa & Fred. Marcos Carnevale. Argentina. 2005.

Hoje em dia quase não se vêm filmes como esse. Não só pela essência e argumento - a favor da vida - mas também pela temática em si : a velhice. Transposta de uma forma belíssima se transforma num elogio à vida e ao cinema. Sim ao cinema, afinal reproduz uma das cenas mais belas do cinema, aquela famosa de La Dolce Vita, quando a estonteante Anita Ekberg brinca na Fontana di Trevi com um gato e Marcello Mastroianni. Resumindo, é um filme que provavelmente desagradará a poucos - se não a ninguém. E nesse ponto a Argentina está a anos-luz à frente do cinema brasileiro.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Pink Panther

Um tiro no escuro 1964

A Pantera-cor-de-rosa ataca novamente 1976


O retorno da Pantera-cor-de-rosa 1975


A vingança da Pantera-cor-de-rosa 1978



A Pantera-cor-de-rosa 1963


Peter Sellers é um ator genial. E um dos destaques de seu trabalho é como o inesquecível inspetor Jacques Clouseau, imortalizado pelos filmes da Pantera Cor-de-Rosa. Comédia pastelão mas sem beirar o ridículo que encontramos normalmente hoje em dia. Nem me atrevi a assistir a refilmagem de Pantera com Steve Martin. Nada contra o cara mas Clouseau é inimitável e só existe na pela de Peter Sellers. Pra quem curte rir sozinho. Uma delícia essa coleção. Ah, claro, e a trilha original inconfundível de Mancini.


quarta-feira, 25 de abril de 2007

Prêt-à-porter 9

Jú Galdino à esquerda, em prêt-à-porter de long, long time ago.

Ontem teve Prêt-à-porter 9 no Sesc aqui em Bauru. Não é sempre que temos oportunidade de ver coisas boas como esse trabalho do Antunes Filho. Lembro-me da primeira vez que me deparei com o teatro do CPT, foi também com Prêt-à-porter, há uns 7 anos atrás. Na época, eu ainda no colegial, fiquei estarrecida com as cenas ali interpretadas. Nós, o público, quase que dentro da cena de tão próximo aos atores. Essa relação tão intimista que o teatro do Antunes proporciona é única. Foi de tamanha impressão que me causou aquele espetáculo que jamais esqueci o rosto dos atores. Na verdade de uma atriz em especial, que ano passado tive a felicidade de conhecer: Juliana Galdino. Fantástica atriz. E acima de tudo imbatível no pôquer.

No espetáculo de ontem já não tive o mesmo sentimento. Não pelos atores - ainda muito bons (mas infelizmente sem Ju Galdino). Nem pelas histórias - cenas do cotidiano sempre in. Quem mudou mesmo fui eu. Depois de conviver anos a fio com atores, diretores, cenógrafos e toda patota de teatro londrinense confesso que é difícil me impressionar no teatro. Apesar de continuar gostando do estilo inconfundível de Antunes e saber que é bom , não me emociona mais. Mas , enfim, está recomendadíssimo. Afinal, assim como aconteceu comigo anos atrás creio que alguém saiu de teatro ontem a pensar nas cenas da vida.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Los

Abre os teus armários, eu estou a te esperar
Para ver deitar o sol sobre os teus braços, castos
Cobre a culpa vã, até amanhã eu vou ficar
E fazer do teu sorriso um abrigo
Canta que é no canto que eu vou chegar
Canta o teu encanto que é pra me encantar
Canta para mim, qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz
Tristeza nunca mais
Mais vale o meu pranto que esse canto em solidão
Nessa espera o mundo gira em linhas tortas
Abre essa janela, a primavera quer entrar
Pra fazer da nossa voz uma só nota
Canto que é de canto que eu vou chegar
Canto e toco um tanto que é pra te encantar
Canto para mim qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz
Tristeza nunca mais

(casa pré-fabricada)

sábado, 14 de abril de 2007

Mostra Internacional de Cinema na Cultura

Sou fã de carteirinha da Mostra Internacional de Cinema na Cultura. Desde meus 15 anos assisto sempre que posso e é cinema de primeira linha garantido. A melhor alternativa pra quem não mora em Sampa e não pode acompanhar de perto a Mostra que acontece todos os anos. A Rede Cultura exibe todas as semanas filmes da Mostra através da análise de Leon Cakoff, o melhor crítico de cinema do Brasil na minha mísera opinião.
Essa semana foi exibido Ararat (link), filme do diretor canadense Atom Egoyan, descendente de armênios, que decediu retratar um dos piores e nunca retratados genocídios da história: em 1915 os turcos exterminaram milhares de armênios de um vilarejo chamado Van e até hoje não assumem a culpa pelo genocídio.
Além de retratar a história desse genocídio, o filme é extraordinário tambem pelo entrelaçamento das histórias, num mix de realidade e ficção, tendo como pano de fundo um filme (dentro do filme) sobre a vida do pintor armênio Young Gorky, um dos poucos a escapar do genocídio de 1915. Nesse meio também há abertura para discussões sobre o que é verdade e mito, como a história oficial retratou o caso e como isso ainda afeta a vida cotidiana de muitos. A miscigenação, a imigração, os conflitos étinicos pela busca de poder e território que o filme aborda em tudo faz relembrar uma guerra que já estava iminente aos olhos do ocidente: o medo do outro, do diferente.


Ararat. Atom Egoyan. 2001.

Cine trash

Snakes on a plane. Serpentes à bordo. David R. Ellis 2006.
Pra quem curte cine trash (como eu) é diversão pura. Fora o rebuliço que causou quando o filme vazou pela net antes da estréia, realmente não há nada de tão extraordinário assim. Dentro da categoria trash é o que há de melhor nos últimos anos, já que reúne tudo de mais podre que um filme desses pode ter: cenas (leia-se encenação) de sexo, sangue, pancadaria, bonecos de cobras, personagens clichês, diálogos clichês (com excessão de algumas falas de Samuel L. Jackson, que relembram de leve o seu personagem de Pulp Fiction, fantástico!), e claro, com sustos inesperados de pular na cadeira como todo triller deve fazer. Resumindo , um autêntico filme trash!

quinta-feira, 12 de abril de 2007


Scoop. Woody Allen. 2006. Inglaterra.

Depois de alguns anos de reclusão resolvi reatar com os filmes de Woody Allen e vejo que valeu a pena. Desde Match Point Allen mostrou uma outra face, daquela vez com um pseudo-drama e agora com o mesmo humor psicótico de antes mas sem tanta baboseira. Scoop é uma delícia.

Letter from Iwo Jima. (Cartas de Iwo Jima). Clint Eastwood. 2006. Japão.

A outra face da Segunda Guerra Mundial. O outro lado de "A conquista da Honra". Nada mal. Mas ainda assim é estranho ver um filme falado em japonês, com atores japoneses e com uma câmera nitidamente hollywoodiana. Alguma coisa não combina, algo está fora de sintonia. Se o diretor fosse japonês algumas cenas jamis existiriam, pelo menos não filmadas desta forma. Ainda assim o filme é bom, afinal, Clint Eastwood não é um qualquer e a forma como escolheu o ponto de vista - através de cartas de combatentes japoneses - é magnifíca.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

O gosto literário de um verme (in memoriam)

Hoje remexendo em meus livros para limpá-los achei um verme - literalmente. Traça roedora de livros. Fiquei a perceber os livros que já tinha roído e percebi um grande gosto literário na pequena. Já havia consumido um pedacinho de cada página de Cem anos de Solidão, de Garcia Márquez e um pouco de Bestiário de Julio Cortázar. Logo notei uma certa obsessão por realismo fantástico. Mas o que me chamou a atenção mesmo foi quando achei a capa de Se um viajante numa noite de inverno, de Ítalo Calvino, quase que totalmente solta. Só podia ser um verme mesmo. Imagine. Mas o peguei em flagra quando, possivelmente cansado de tanta ficção fantástica, perfurava levemente a capa dura de Crítica da razão pura de Immanuel Kant. Verme rastejante. Antes fosse um Marx, empoeirado num canto escuro de minha estante. Ao menos não teve tempo de chegar à divisão de artes onde se encontra meu xodó bigráfico da Taschen de Salvador Dali ou à coleção quase completa das obras de Glauber Rocha. Maldito verme from hell. Morreu antes de poder digerir o que havia ingerido do finado Kant.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Carla Bruni


Mais uma francesinha de arrebatar. Diferente de Camille, Carla Bruni é quase um sussurro ao pé do ouvido. Voz doce e violão. Básico e lindo.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Changes

Tenho andado sumida. E cansada. Finalmente consegui um emprego. Nada perto do que "sonhasse" ou nem próximo do que desejava para mim, mas como não estou em condição de negar nada, eis-me aqui, vendedora de boutique. Pode até representar um fetiche para algumas mulheres trabalhar em ambiente de roupas caras e coisas do tipo, mas não para mim. Então eis-me lá, sorriso no rosto, "bom dia", "bom tarde", "u-lá-lá". Resumindo, estou resgatando meu tão sonhado ganha-pão e é isso aí. Em consequência pouco tempo para escrever, para divagar e assistir filmes - mas disto não abro mão de forma nenhuma, nem que seja pra madrugar vendo filme.
Sem mais delongas, talvez este blog comece a ficar às moscas. Como diria um grande amigo, "coisa mais bela ou útil pra fazer". Ou talvez conte aqui algumas histórias engraçadas que possa ouvir nessa nova vida. Quem sabe? Só sei que tudo vai mudando aos poucos. E sempre pra melhor. Assim espero. Como diria meu amigo Bowie, "Changes, turn and face the strain, changes. Time may change me, But I cant trace time."

domingo, 1 de abril de 2007

Re-vendo - revivendo

Before Sunset. (Antes do pôr-do-sol). Richard Linklater. 2004.
Um filme que vale a pena ter em casa, ser visto e revisto. É como um livro de poesia em linha reta. Diálogos inimagináveis (destreza de Linklater) em cenários de tirar o folêgo. Simplesmente lindo.

quinta-feira, 29 de março de 2007

A Rainha



The queen. (A rainha). Stephen Frears. 2006.

Helen Mirren está perfeita no papel da rainha Elizabete II, isso é meio óbvio dizer, mas a verdade é que interpreta como se tivesse nascido rainha. E o diretor Stephen Frears mostra um outro lado de direção, bem diferente de Alta Fidelidade e do delicioso Mr. Henderson. Talento e luxo é o que não falta nesta produção, que mescla imagens reais de Lady Di e ficção e que mostra de um jeito ou de outro o porquê da existência de uma monorquia nos tempos de hoje. Apesar de patética e demodé, a realeza tem seu papel insubstituível. Enfim, há gosto pra tudo.

terça-feira, 27 de março de 2007

Assim

Tá tudo assim
quieto e morno
tudo meio assim-assim.
Até quando vou ter que viver
um dia após o outro?

segunda-feira, 26 de março de 2007

Cine

A praire Home Companion. ( A última noite). Robert Altman. 2006

Literalmente o último filme de Altman. Uma delícia. Elenco ótimo, canções em estilo country que mesmo pra quem não curte é de encher os ouvidos. O estilo que Altman lançou no cinema hollywoodano com Short Cuts aqui se estende de forma mais digestível, emaranhando diálogos soltos de várias personagens que giram em torno de um único tema. Fantástico. (Mas para esse estilo ainda prefiro P. T. Anderson em Magnólia, mas isso não vem ao caso agora).


Vinícius. Miguel Faria Jr. 2005.

Ótimo documentário sobre a vida de Vinícius de Moraes, com depoimentos de amigos e parceiros. Não foge ao convencional do formato de documentários, mas como no Brasil carecemos de informações e filmes sobre nossos artistas não deixa muito a desejar.

sábado, 24 de março de 2007

Jennifer Lewis

Pinturas à óleo da ilustradora Jennifer Lewis . Clique no nome para ver o site.

Cupcake

She loves fish by miorats


Dreams

Bunny



sexta-feira, 23 de março de 2007

The ghost rider. ( O motoqueiro fantasma). Mark Steven Jhonson. 2007.
Pura ação. Pra quem curte quadrinhos. Nicolas Cage quase nem atua, porquê quem interessa mesmo é o cabeça de osso flamejante.

Zerkalo. (O espelho). Andrei Tarkovsky. 1975.
Clássico de Tarkóvsky, mestre da luz e sombra e das cores e do silêncio. Seria a vida adulta espelho da infância? No fim estamos sempre refletindo algo...

sábado, 17 de março de 2007

Pouco convencionaiS

Capitaes de Abril. Maria de Medeiros. POrtugal. 2000.

Filme senssibilíssimo sobre a Revolução dos Cravos em POrtugal, quando os próprios militares se revoltam contra a ditadura salazariana e tentam tomar o poder sem as marcas da violência. Apesar de se tratar disso, o filme não é político e sim romântico.



The squid and the wale. (A lula e a baleia) . Noah Baumbach. 2005.

A casa dessa família desmorona quando o casal entra em saparação. Na verdade a casa de qualquer um cairia sob essas situações. Foge ao senso comum dos filmes que retratam esse tema já que as discussões giram em torno de questões filosóficas e pouco convencionais. Bela trilha sonora e ótimo grand finale.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Nós


A nós.
Camille - Quand je march
Jamie Cullum - Lover you Should´ve come over
Medeski, Martin & Wood - Last chance to dance trance (album)
Diana Krall - The girl in the other room (álbum)
Los Hermanos - Casa pré-fabricada
Maria rita - primeiro cd

terça-feira, 13 de março de 2007

Um filme para cada dia do fim de semana:

Borat: Cultural Leranings of America for make benefit glorius nation of Kazakhstan.(Borat: o segundo melhor repórter do glorioso país do Cazaquistão viaja à America). Larry Charles. 2006.
Sem mais delongas o filme é escracho puro, um grandioso deboche ao politicamente correto e só. Nem mais nem menos. Um filme feito pra tirar sarro, com piadas que beiram o mal-gosto mas que mesmo assim tem uma certa dose de sarcasmo. Não merece tanto alarde assim a não ser pela total falta de papas na língua do ator britânico Sacha Baron Cohen. Hilário.


Don´t come knocking. (Estrela Solitária). Win Wenders. 2005.



Win Wender e Sam Shepard é uma daquelas duplas dinâmicas (perdoem a falta de melhores sinônimos!) feito Paul MacCartney e John Lennon, Chico Buarque e Edu Lobo, Batman e Robin, etc. Como de costume Wenders sabe como ninguém unir câmera e música. Seus filmes sempre têm as melhores trilhas sonoras e este não deixou a desejar - pelo menos não neste quisito. Claro que não pode haver comparações com Asas do desejo ou Paris , Texas, nem de longe. Mas ainda assimé um Win Wenders autêntico.


The departed. (Os infiltrados). Martin Scorsese. 2006.



Nem de longe um filme que faça o meu gênero. Um bom filme policial(argh!). POr isso o Oscar. E também para a academia se "retratar" com Scorsese. Nunca vi isso. Coisa mais sem sentido, mas enfim...O filme é longo demais, o tema é batido e o final é esdrúxulo. Pra gosta é um prato cheio.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Pia Fraus

Depois de um longo período de pasmaceria cultural aqui em Bauru finalmente aconteceu algo plausível: a Compania Pia Fraus de bonecos apresentou ontem seu espetáculo "100 Shakespeare", uma verdadeira homenagem ao mestre inglês, reconstruindo no palco algumas das mais famosas cenas shakespereanas com seus bonecos que parecem tomar, ou melhor, tomam vida no palco. Pia Fraus é uma das companias brasileiras mais renomadas no que se trata de manipulação e criação de bonecos. Um show como pucos já viram. E quem não conhece não sabe realmente o que está perdendo.

quinta-feira, 8 de março de 2007

O último rei da Escócia



O último rei da Escócia. Kevin MacDonald. 2006.

Tenho ido muito ao cinema, mas não mais do que eu gostaria de ir. De qualquer forma tem-se ultimamente bons filmes em cartaz, mesmo não sendo meus preferidos, ainda assim sobram boas alternativas. Bom filme, mas talvez tenha faltado mais sangue pra mostrar a barbárie que realmente aconteceu.

terça-feira, 6 de março de 2007

sábado, 3 de março de 2007

Passages


Dica pra quem curte música instrumental. Estes dois grandes "maestros" dão um verdadeiro show neste disco. Phillip Glass, grande compositor de trilhas sonoras imperdíveis como a de Dracula - Francis Ford Coppola - se juntou a Ravi Shankar, ícone da música indiana, tocador de sitar e pai de Norah Jones. Simplesmente imperdível.

Lira Paulistana

De passagem rápida, em uma única tarde paulistana muita coisa pode acontecer...

Museu do Ipiranga.

E um encontro inusitado com o maior trombonista de todos: Raul de Souza na Teodoro Sampaio.
Faltou a foto do super pastel de bacalhau do Mercadão, mas essa fica pra próxima.
Espero por vir muitas outras tardes como esta.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Mais um ano, muito mais cinema!

Dia de aniversário é coisa esquisita. As pessoas te abraçam e te agradecem por ter nascido, como se essa tivesse sido a melhor de tuas escolhas, assim como se escolhe qual profissão seguir ou qual carro comprar: Parabéns! Seja Feliz! . Não, não dou dessas que ficam mau-humoradas no dia de aniversário. Também não fico exultante como a criança que espera pelo bolo. Apenas uma data muito esquisita. E para comemorar escolhi unir as duas coisas que mais gosto nessa vida: namorar e cinema. Pra começar, uma sessãozinha remember caseira, como fabuloso "Laranja Mecânica". Kubrick é gênio! O clássico dos clássicos.
Depois " O Labirinto do fauno" no cinema. Confesso que estava bem curiosa sobre o que esperar do filme e infelizmente não agradou tanto quanto esperava. Nada demais, um filme mitológico com bons efeitos, boa maquiagem, boa edição, bons atores e cenários, enfim, não desegrada em nada em termos técnicos e talvez por isso deve levar um oscar. A história também não deixa a desejar, fatos sombrios da vida real - já que tem como pano de fundo a ditadura facista de Franco na Espanha - e mais sombrios ainda quando se trata do universo mitológico infantil, onde as fadas rosas e tranlúcidas dão lugar à insetos, sapos, seres com olhos nas mãos e um fauno from hell. O probelma talvez esteja no rumo do filme, na forma de se contar a história, que não prescinde de cenas de extrema violência (num filme que tem indicação para crianças acima de 12 anos) que me renderam pesadelos. Mas enfim, o diretor espanhol Guillermo del Toro ganha de virada de Stephen King quando se trata de horror mas ainda assim não passa de um grande filme fantástico , com bom roteiro mas que carece de um bom contador de história.


El Laberinto del Fauno. Guillermo del Toro. 2006. Espanha.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Medo e obsessão



Land of plenty (Medo e obsessão). Win Wenders. 2004.
O mestre Win Wenders mostra não ter perdido seu grande talento como diretor. Apesar de não chegar nem aos pés de clássicos como Paris, Texas ou Asas do desejo, Wenders aborda nesse drama algo que apenas um diretor não-americano poderia dizer: o esvaziamento de sentido patriótico norte-americano pós 11 de setembro.
Wenders expõe a paranóia de um ex-combatente do Vietnã, que se auto-encarrega de cuidar da segurança do país contra possíveis atos terroristas, morando num furgão altamente paramentado com câmeras, fones e toda parafernália imaginável de dar inveja a qualquer James Bond que se preze. Passa os dias rodando as ruas de Los Angeles, na cola de células de terrorismo, homens-bomba e coisas que o valha quando então se depara com a chegada inesperada de sua sobrinha, vinda diretamente do Oriente Médio, onde viveu por anos atuando como missionária, prestando ajuda humanitária. Dois pólos se confrontando. Um obsessivo pela guerra e o outro solidário ao suposto inimigo.
Diferentemento de outros filmes sobre o 11 de setembro, este direciona os olhares não para o drama da perda física, da morte de civis ou qualquer apelo trágico mas sim para a perda de sentido patriótico da luta quando na verdade não se sabe exatamente contra o que se está lutando. O terrorismo vai muito além dessas fronteiras. Os horrores de qualquer guerra supera a tudo. O título original poderia ser traduzido para Terra da Plenitude. Mas plenitude do quê? Na verdade tudo pode ser resumido ao final do filme, quando os personagens estão a olhar o monumento erguido no lugar do World Trade Center com o seguinte comentário: achei que teria algo mais, não apenas uma cosntrução...