segunda-feira, 13 de novembro de 2006

quarta-feira, 8 de novembro de 2006


Le Fabuleux Destin d´Amelie Poulain
.
Quase impossível não gostar desse filme. Lúdico e sinestésico acima de qualquer coisa.
Tudo se encaixa perfeitamente: as cenas, as cores, a música, o enredo, os personagens, tudo.
Mas hoje especialmente a música. Trilha sonora imperdível como só a francesa consegue ser quando se trata de encantar. Encantamento ao som de acordeon. Tão leve quanto as nuvens e a infância, e o vento e um sopro, uma bolha e o cristal e um grão e um sonho.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Idas e vindas


Viajar sempre me restaura.
Devo ter sangue nômade que não me permite ficar muito tempo parada em um único lugar, por isso devo estar sempre em movimento.
E quando retorno para o lar sou muito bem recebida pelo membro mais que especial: Ágatha.
music: I feel like a child - Devendra Banhart

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

All The Cats Join In

I wanna to be a cat!
Benny Goodman music.
Fly me to the moon
And let me play among the stars
Let me see what spring is like
On Jupiter and Mars
In other words hold my hand
In other words darling kiss me
Fill my life with song
And let me sing forevermore
You are all I hope for
All I worship and adore
In other words please be true
In other words I love you

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

O que eu aprendi com os eucaliptos

Em dias como esse pouca coisa me conforta.
Talvez a única seja ficar só e olhar para o céu.
Tenho o privilégio de morar num lugar onde se vê bem o céu e logo abaixo alguns eucaliptos se curvam ao vento. Poderia ficar horas - ok, nem tanto - mas um longo tempo só olhando para os eucaliptos se curvando quase até o chão sem se quebrarem. Envergadura. É isso que temos que ter, muita envergadura. E fé.

sábado, 28 de outubro de 2006

Little Miss Sunshine


Pequena Miss Sunshine. (Little Miss Sunshine). Jonathan Dayton, Valerie Faris. USA, 2006.
Junte em uma Kombi uma garotinha de 7 anos estranha e aficcionada por ganhar um concurso de beleza, um pai aficcionado pelo sucesso mas a partir disso já é um looser, um avô aficcionado em heroína, um irmão aficcionado por Nietzsche, um tio aficcionado por Proust, sendo gay e suicida e uma mãe razoavelmente normal tentando controlar toda situação. Disso é composto Pequena Miss Sunshine, uma comédia dramática irônica"B" americana de primeira classe.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Cafundó


Ontem fui à pré-estréia do filme Cafundó, de Paulo Betti no espaço dos cinemas do Alameda. Como nunca havia ido antes a uma pré-estréia não sabia exatamente o que esperar , mas com certeza não esperava ser como foi. Paulo Betti estava presente com um outro ator do filme e como o filme trata da vida de João de Camargo , o famoso Preto Velho do Candomblé brasileiro então nada mais apropriado que a presença de mães e pais de santo no ambiente. Fora isso uma banda tocava pontos do Candomblé e antes dela uma pequena banda da Folia de Reis também se apresentou. Um verdadeiro espetáculo de cultura popular, ou coisa do gênero.
Terminados os shows entramos para assitir ao filme. Paulo Betti muito simpático acendeu uma vela , colocou-a no centro da sala e explanou: "porquê aqui no Brasil só assim para se fazer cinema". E ás vezes deve ser mesmo.
O filme começa no final do século XXI, findada a escravidão o então escravo João de Camargo tenta inserir-se na nova República brasileira. A partir daí o filme vai acompanhando o desenvolvimento espiritual de Camargo que acaba por ter um encontro fantástico com um padre morto e algumas entidades do candomblé e a partir disso decide construir a "Igreja da água vermelha", voltado para os negros e necessitados.
Sinceramente o filme não é lá grande coisa, não só porquê a temática não me agrada, mas porquê carece de muita coisa, uma fotografia razoável, roteiro pouco elaborado mas o que salva mesmo é (sempre) a interpretação de lázaro Ramos no paple de João de Camargo.
Mas o que fechou mesmo com chave de ouro foi que , ao final da exibição, a Banda Marcial de Bauru entra na sala de cinema e toca exatamante as músicas do filme. Fantástico!
Por isso digo, não só uma pré-estréia mas uma pré-estréia em grande estilo!

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

???!!!!

Hoje é um dia especial. Tenho uma decisão a tomar que mudará o curso das coisas. Para melhor, claro( e assim espero). Tudo o que peço é que torçam por mim. E no próximo post eu explico tudo.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Derico e sindicato do Jazz

Cenário externo do Alameda e a banda

Ante s de ir pra Londrina fui ver a apresentação do Derico no Alameda Quality Center junto à melhor (e única) banda de jazz de Bauru, o Sindicato do Jazz. Tive praticamente uma overdose de jazz já que assisti às 3 apresentações da banda. O melhor é que cada uma foi diferente da outra, cada qual em um ambiente e ainda assim todas boas. O que é bom é bom sempre. E o melhor: tudo gratuito. Show.
De volta à Bauru.
Londrina continua linda como sempre, impressionante como essa cidade se desenvolve rápido. Nos 4 meses que fiquei sem aparecer muitos lugares abriram, outros fecharam, outros mudaram de endereço. Gente morreu, nenéns cresceram, enfim, a vida não pára, né? Consegui assistir ao final da 8.a Mostra de Cinema de Londrina, outro acontecimento que cresceu pacas e tenho certeza que ano que vem estará absurdamente grande e ainda melhor. A mostra competitiva exibiu curtas-metragens de qualidade, quase todos excelentes, com destaque para "Manual para atropelar cachorro", "O estertor", "A última do amigo da onça" e o ganhador de melhor filme "Bom te ver". Esses curtas provavelmente podem ser vistos no site Youtube.com ou no programa Zoom, da Tv Cultura de sábado à noite. Todos valem a pena.
Enfim, a viagem foi boa, matei a saudade, restaurei uma parte da minha vida (nova vida!), e agora estou de volta. La vie, u lá lá!!!

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

É provável que fique uns dias com o blog parado mas agora por um bom motivo. Finalmente vou matar a saudade de Londrina, visitar amigos, pegar o final da Mostra de Cinema e de quebra uma boa festa. Isso aí. Falando nisso, a mais bela homenagem a Londrina:

Londrina

Nuvens vermelhas no céu
na terra silêncio
uma ave voava
o rádio anunciava
a "Ave Maria"e dava uma saudade,
uma tristeza estranha
uma vontade de chorar
e a noite descia tranqüila
e a noite envolvia Londrina
olha quanta luz no céu
olha um avião voando sozinho
sobre o perobal
e a sanfona tocava uma valsa triste
e a cabocla de flor nos cabelos
cantava pra lua.
Arrigo Barnabé

De-lovely


De-Lovely . Irwin Winkler. 2004.

Biografia do músico Cole Porter, responsável por canções inesquecíveis que no filme são interpretadas por cantores da atualidade : Let´s do it, let´s fall in love ( a qual ganhou uma versão brasileira na voz de Chico Buarque e Elza Soares, "Façamos") - Alanis Morissette; It´s De-lovely - Robbie Wiliams; Let´s misbehave - Elvis Costello; Begin the beguine - Sheryl Crow; Just one of thouse things- Dianna Krall e a maravilhosa Every time we say goodbye - Natalie Cole.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Dear Wendy


Dear Wendy - Thomas Vinterberg (Roteiro Lars Von Trier) - 2005.
Uma nova visão sobre o porte de armas. Claro que o filme vai muito além disso. E não se enganem pela capa, nada de western...Destaque para o personagem principal interpretado por Jamie Bell, o pequeno Billy Elliot. Ótimo.

terça-feira, 17 de outubro de 2006

CBGB

Semana triste para os punks novaiorquinos (quiçá de todo mundo). A casa noturna punk mais famosa de todos os tempos fechou as portas. Sim, estou falando de CBGB - OMFUG, ou seja, Country Bluegrass Blues and Other Music For Uplifting. Por lá despontaram Ramones, Sex Pistols, Patti Smith, Television, New York Dolls, Lou Reed, e tantos outros figurões da cena punk. Há quem diga que fechada a casa em New York, a mesma - ou parte da mesma- se desloque para Las Vegas. Por mim tanto faz, tendo em vista que o deslocamento para conhecer um estabelecimento deste é praticamente de mesma distância para quem se encontra numa América que não a do Norte. De qualquer forma menos um boteco no mundo para nós.

Após uma pequena pausa eis-me de volta. Ontem não podia me aproximar de qualquer objeto que transmitisse ondas eletromagnéticas, como celulares, microondas, televisores e claro computadores. Tudo por causa de um holter pendurado em mim por 24 horas pra marcar o batimento cardíaco. Espero ter sido esse o último exame que faço, haja paciência! E mesmo porquê acho tudo isso desnecessário, mas enfim, meu espírito hipocondríaco insiste em me aporrinhar e falar mais alto. Afffffff!

Touche pas - Vive la fête : music.

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Happy, happy...

Hoje é aniversário do Nick, um apessoa fantástica que apareceu na minha vida de uma forma totalmente inesperada e maluca. Como não poderei estar em Sampa pra festa aqui vai meu desejo de uma vida maravilhosa, que só ele sabe como levar. Nick, a pessoa com quem descobri o talento pra vida. Parabéns Kyu.

quem tem amigo ...

Eu, Bira, Pira e Rê - faltou o Douglas

Quem tem amigos tem tudo, já diria meu amigo Nick. E eu digo que meus amigos são minha casa da moeda. Posso perder tudo, tendo amigos como os que eu tenho ao lado não preciso me preocupar.
Ontem foi feriado e não gosto muito de feriados porquê a vida parece parar no tempo, tudo fecha, as coisas não funcionam, e aquele marasmo todo vem à tona - coisa típica de domingo, outro dia perdido no tempo. Mas a noite foi salva pela tríade - que ontem se tranformou num quinteto. Eu , Bira e Pira nos reunimos com frequência para partidas de sinuca ou simplesmente para as famosas conversas de boteco. Ontem Regina e Douglas se juntaram a nós e foi uma das melhores noites. Apesar de Bauru ainda ser uma desgraça em relação a bares e botecos conseguimos passar boa parte da noite nos divertindo muito, pouco importando o lugar escolhido, mesmo porque depois de uma certa hora nem tinha mais para onde ir e ficamos num posto que deveria ser 24 horas mas fechou mesmo com a gente lá. Pouco importou. A diversão foi duca e como eu costumo dizer: ema, ema , ema, cada um com seus problemas.
Em gênero, número e grau: quem tem amigos tem tudo.
music: anos 80 - rolou um revival total.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

capa e conteúdo
















Filmes que ainda não vie seus cartazes incríveis. Todos disponíveis pelo selo Magnus Opus. Valeu a dica, Zé.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Disse que minha vida iria mudar, não é? Pois hoje já amanheceu diferente, levantei cedo e tudo começou a mudar. Sem pontos no rosto, carro novo e quem sabe até uma oferta de emprego . E o dia ainda não acabou! E talvez a cicatriz não fique assim tão má.
No alarms and no surprises...


No Surprises

"A heart that's full up like a landfill
A job that slowly kills you
Bruises that won't heal
You look so tired and unhappy
Bring down the government
They don't, they don't speak for us
I'll take a quiet life
A handshake of carbon monoxide
No alarms and no surprises
No alarms and no surprises
No alarms and no surprises
Silent, silent
This is my final fit, my final bellyache with
No alarms and no surprises
No alarms and no surprises
No alarms and no surprises please
Such a pretty house, such a pretty garden
No alarms and no surprises (let me out of here)
No alarms and no surprises (let me out of here)
No alarms and no surprises please (let me out of here)"

Radiohead

sábado, 7 de outubro de 2006

s2 - o coração

Tenho a impressão que minha vida mudará. Pra melhor ou pior é que ainda não sei, mas com certeza não permanecerá a mesma. O coração seria o responsável por uma morte prematura. Literalmente e metaforicamente. Mas o romantismo já passou e hoje em dia niguém mais morre aos 23 anos. A não ser que realmente queira. E eu sei que não quero. Minhas veias românticas se fecharam há algum tempo.Ou não. Quem sabe? A única coisa que sei é que outros tempos estão se instaurando em minha vida e estou curiosa o bastante pra saber no que vai dar.

music: Quand je marche - Camille

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Tom Waits



Acabo de conseguir a discografia COMPLETA - nada menos que 31 álbuns completos - de Tom Waits. Essa voz rouca e esfumaçada, esse tom rasgado, jazzistico, bluseiro, roqueiro. Tom é tudo e mais um pouco. O próprio infame. O dono da voz. O cara.

Um belo presente para uma noite de chuva como essa.

Ouvindo no momento o álbum Blue Valentines.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Freaks



Freaks, Tod Browning, 1932, USA.

Sem dúvida esse filme assustará você. Não por se tratar de um filme de terror, o mais correto seria filme de HORROR. O Horror frente ao desconhecido, ao diferente, ao estranho, ao outro. Freaks mostra um circo dos horrores, literalmente: metade de pessoas, pessoas grudadas pelos quadris, com cabeças de agulhas, sem pés, sem mãos, homens-mulheres, mulheres barbadas, anões, enfim, toda sorte de gente estranha possível e imaginável.
A história se desenrola quando no circo um anão se apaixona pela trapezista, uma linda e maléfica mulher, que se aproveita da situação para tascar a fortuna do pequeno. A partir daí se desenvolve a história mostrando os dois lados da vida no circo: os normais e os freaks. E por mais que houvesse interação, os "normais" nunca seriam "um deles".

" We accept you, one of us!
Gooble, gooble
Gooble, gooble
We accept you, One of us!"

Prince Radian - o minhoca (fazndo seu próprio cigarro sozinho!)
Pinhead - o homem de 3 anos
Johny Eck - o homem-tronco
Daisy and Rosetta Hilton - as irmãs siamesas

Todas essas pessoas são (ou foram, porquê já passaram desta vida) reais e participaram deste filme. Cada qual teve sua história e soube o quão freak é viver num mundo como este nosso.

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

filmes...

Filmes do final de semana:
Betty Blue (37 0. 2 le matin), Jean Jaque Beineix, 1986, França.

Obrigado por fumar ( Thank you for smoking), Jaison Reitman, 2005, USA

Totalmente Kubrick (Colour me Kubrick), Brian Cook, 2005, USA.



Todos indicadíssimos. "Betty Blue" é estranho e belo, a garota que interpreta a personagem principal tem uma beleza quase exótica, boca grande, dentes saltados, mas ainda assim arrebata o espectador. Em "Obrigado por fumar" o politicamente correto é o alvo de artilharia, muito bem humorado, bem estruturado, mas como quase todo filme norte-americano acaba não conseguindo ser tão anti-politicamente correto assim. "Totalmente Kubrick" é baseado em história real, quando um maluco qualquer resolve passar-se por Stanley Kubrick para entrar em festas, hotéis de luxo e viver de mordomia. O fato deu-se quando das filmagens de "De olhos bem fechados", onde o então verdadeiro diretor Kubrick recusava-se apresentar sua figura em público, dessa forma ninguém saberia reconhece-lo pelas ruas. Aproveitando-se disso o farsário - que não se assemelhava nem em sombra com Kubrick - circulava livremente pelos melhores restaurantes, badaladas festas e hotéis sob o nome de Stanley Kubrick, ou Stan para os íntimos. John Malkovich está impagável sob o farsante e ultra gay Stan.

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Alameda

Finalmente algo de bom aconteceu em Bauru - a cidade sem limites para o tédio. Um hiper-mega-empreendimento foi inaugurado essa semana num quilômetro qualquer da rodovia mais próxima e trata-se do seguinte: posto de gasolina e área de conveniência (afinal é na rodovia), bar ambientado nos anos 50 (com direito a carros antigos e tudo!), 4 salas de cinema subterrâneas com sistema ultramoderno de som e poltronas reclináveis de couro e o melhor não pára por ai, os filmes não seguem a linha comercial, mas o circuito de filmes estrangeiros europeus, latinos e asiáticos. Fantástico, tudo que eu precisava no momento. E 24 horas por dia!
Quem um dia estiver passando por aqui vale a pena parar e conferir: Alameda Quality Center.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

caolha


Mas uma noite estranha em minha vida. Ontem desmaiei sem motivo aparente ( ou preocupante) e acabei me machucando feio. 5 pontos no supercílio. Hospital até às 8 da manhã, afffff! Baladas para hoje desmarcadas até segunda ordem.
Pelo menos a companhia de ontem era mais que agradável e valeu a noite.

música de recuperação: charles mingus - Blues and roots

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Poor blue bird ou c´est la vie


Lembram-se do blue bird? Ei-lo aqui. Morto. Minha gata Ágatha resolveu provar que ainda é um animal com instintos à flor dos pelos apesar de domesticada. É a vida. Ou como diriam os franceses, c´est la vie, mon ami! Eu disse que ele era azul...

domingo, 24 de setembro de 2006

Very bad things


Raridade na Tv aberta brasileira é filme bom em horário nobre, coisa que ontem saiu da rotina. Sábado à noite quase sempre pede um bom filme e foi isso que a Rede Globo proporcionou exibindo "Uma loucura de Casamento" ontem à noite.
Esse filme é com certeza uma das melhores comédias já feita pelo cinema norte-americano. O título original resume muito melhor a temática do filme: Very bad Things. Trata-se de uma história bem simples, casamento e antes disso uma noite de despedida de solteiro em Las Vegas entre amigos, não fossem as seguidas tragédias ocorridas seria um filme mais que banal. Mas o fio condutor é o humor negro e isso já basta para salvá-lo de qualquer clichê humorístico holywoodiano. Recomendadíssimo.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Primavera affffffffff





Chegou a primavera. Prefiro o inverno, mas como é inevitável e como para nós brasileiros primavera é verão, decidi usar essas imagens de João Câmara só pra ver se me animo...

music: Yellow sun - The Racounters

quarta-feira, 20 de setembro de 2006


posso pegar disse ele
(eu vou gritar disse ela
só uma vez disse ele)
dá prazer disse ela

(posso ir mexendo disse ele
depende quanto disse ela
bastante então disse ele)
porque não disse ela

(vamos lá disse ele
não muita lá disse ela
onde é muito lá disse ele
onde você está disse ela)

posso assim disse ele
(como assim disse ela
desse jeito disse ele
por um beijo disse ela

posso pôr disse ele
será amor disse ela)
se você quer disse ele
(eu vou morrer disse ela

mas é a vida disse ele
mas e a tua amiga disse ela
vai disse ele)
ai disse ela.

e.e. cummings

music: You´ve really got a hold on me - Beatles

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Antoine et Colette

Antoine et Colette. Françoise Truffaut, 1962. França.

Belo curta-metragem de Truffaut , na verdade um episódio do filme L´amour à vinget ans, ou Amor aos vinte anos. Simples, bem feito e belo como só Truffaut pode fazer.
Uma frase em especial me chamou a atenção, do pai de Colette à Antoine : "Victor Hugo denunciou o mal, mas não a cura para ele."
Bom , né?
A quem interessar o curta está no youtube, em frânces com legenda em inglês. Vou tentar postar o vídeo numa próxima.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Zatoichi

Zatoichi - Takeshi Kitano, 2003. Japão.

Refilmagem de história clássica japonesa sobre um espadachim cego que livra cidadezinha dos infortúnios da yakuza. Essa é a base do filme de Takeshi Kitano, que além de dirigir faz o papel principal. Diz o próprio Kitano que buscou introduzir a história no século 21, por isso movimentos rápidos de câmera, novo figurino - principalmente o seu, já que para interpretar um Zatoichi moderno, Kitano teve o cabelo pintado de amarelo - e novas formas de luta , mais rápidas e precisas, aquelas de um golpe único e certeiro. Mas o que me chamou a atenção de verdade foi o leve toque de humor[!] que o diretor tentou imprimir. Claro que isso, pelo menos para mim, foi quase imperceptível, já que humor é elemento raro em filmes japoneses. Algumas cenas até chegam perto de uma risada mas foi um tanto estranho perceber isso em um filme de luta, violento e sangrento. Na verdade não gostei do filme. Não que não valha a pena vê-lo, afinal ganhou prêmio de melhor diretor no Festival de Veneza e isso deve significar algo, mas de Takeshi Kitano eu indicaria Dolls.

ps: não consegui postar foto...

sábado, 16 de setembro de 2006

Milágrimas

Ontem fui assitir ao espetáculo de dança Milágrimas do famoso coreógrafo Ivaldo Bertazzo no Sesc. Trata-se de um trabalho com 41 jovens da periferia de São Paulo, mixando dança e canto brasileiros e africanos, mais precisamente o canto capella sul-africano.
Foi de arrepiar.
Na trilha escolhida pelo pianista Benjamin Taubkin estão músicas de Dorival Caymmi, Nelson Cavaquinho e claro, a música-título de Itamar Assumpção e Alice Ruiz, Milágrimas:


Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido, Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos, Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre
Caso de tristeza vire a mesa

Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena, Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura, Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal, Chorar for inevitável

Sinta o gosto do sal do sal do sal, Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma, Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre

Belo poema, bela múscica, belo espetáculo.

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Morte em Veneza

Estou voltando às origens, tentando ler alguns clássicos e retomei por "Morte em Veneza", de Thomas Mann. Confesso que o filme me decepcionou um pouco, muito lento, cansativo mas como tudo que Visconti faz, é belo. E não era pra menos, já que o livro é de uma descrição perfeita sobre e para a beleza e o Belo.
Sem dúvida esse é um dos mais belos livros que li. Um tanto quanto descritivo demais para meu pobre gosto, mas ainda assim é fantástico.

Em alguns momentos me senti como possível co-autora de algumas passagens [conforme o meu ânimo de ontem].

"(...) esta saudade para a distância, para a novidade, esta ânsia por libertação, exoneração e esquecimento - a pressão de se afastar da obra, do sítio cotidiano de um serviço rígido, frio e apaixonar-se. "

O vislumbre diante da juventude e da inevitável morte.


Cena do filme de Visconti. O efêmero e o etéreo unidos pelo Belo.

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

O ser e o nada

Não tenho mais vontade de fazer nada, nem de escrever, nem de ler, nem nada. Fase.

Vai passar.

Meus últimos planos foram todos frustrados. Mais um funeral pra completar 3 em menos de 2 meses. Faço coisas que não gosto. Penso em pessoas que não estão ao meu lado (nesse momento, mas um dia já estiveram). Sinto uma saudade aguda de algo que não sei exatamente o quê.

Tomara que passe logo.

Sem perspectiva, sem dinheiro, sem emprego. Claro, tenho amigos, família, uma gata siamesa, alguns filmes que podem me salvar numa noite vazia. Livros, muitos, mas não consigo ler nada. Não agora. Quem sabe quando?

Será que já passou?

1 música: Lover, you shold have come over - Jeff Buckley

domingo, 10 de setembro de 2006

O maior amor do mundo


O maior amor do mundo. Cacá Diegues, 2006, Brasil.

Depois de ver a este filme hoje fiquei imaginando o porquê de fazer filmes que pontuem alguns períodos do país. É importante no fim das contas ter pelo menos algumas impressões da época registradas pelo cinema, nem que sejam - como sempre são - tendenciosas. Seja pra criticar ou apoiar determinada situação. Esse filme trata de nossa época, sem dúvida, tendo como pano de fundo (bem de fundo e bem rapidamente) a ditadura militar.
Mas no fim a história trata mesmo é de amor. E o maior amor do mundo. Podem imaginar qual seria o maior amor do mundo? Eu sei.

Quando vou ao cinema

Quando vou ao cinema pode acontecer de tudo, é um mistério. Mas na maioria das vezes vou porquê tenho uma necessidade absurda de ir, necessidade mesmo, além do desejo. E na maioria das vezes saio da sala muito bem e uma das razões é por não ver qualquer porcaria que passa por lá. Mas enfim, dizem que uma das funções do cinema (se é que precisa existir alguma função) é a de abstração do mundo real. Por conta disso muita gente não gosta quando o filme trata da "realidade" ou coisas que assemelhem ao cotidiano das e preferem se derreter com uma comédia romântica ou coisa parecida. Não desmereço esse tom, já que o cinema tem esse dom de nos levar ao mundo onírico e (mais que) perfeito.
Ainda assim não é somente por isso que amo o cinema. Amo porquê amo. Ponto. Independente se me leva longe da realidade ou se me aprofunda na mesma. Cinema é lúdico por natureza. Ou não (se lembrarmos que a primeira projeção da história foi a de um trem a toda velocidade) . Mas pouco importa. O que importa realmente é se o que está sendo visto vai fazer diferença pra você. Nada pior que um filme "mais ou menos", que seja ao menos "horrível". Sair do cinema da mesma forma como se entrou é para mim, no mínimo, tedioso, perda de dinheiro e de tempo.
Por isso, quando assisto a um bom filme quase sempre saio em silêncio do cinema. Por vezes extasiada, por vezes pensativa, outras vezes indignada, mas quase sempre em silêncio.
Esses e alguns outros motivos que me fazem e farão sempre amar estar numa sala escura com apenas uma única luz a indicar o caminho.

music: almost blue - elvis costello & chet baker